O renovado IONIQ 6 surge no mercado para ser mais do uma berlina elétrica, fazendo uso de uma carroçaria radicalmente aerodinâmica, uma bateria de 84 kWh, arquitetura de 800 V e pode ultrapassar os 600km de autonomia.
Esta proposta é uma alternativa racional, sofisticada e tecnicamente diferenciada fora do segmento do SUV elétricos e crossover onde a Hyundai apresenta uma berlina elétrica com um baixo centro de gravidade e aerodinamicamente apurada, colocando a eficiência acima da moda.
Não é, nem quer ser um SUV, mas uma berlina elétrica do segmento D com uma silhueta próxima de um fastback de quatro portas e orientada para clientes que valorizam a autonomia, conforto em viagem, comportamento, tecnologia e distinção estética.
Design e aerodinâmica apurada
O Ionic 6 foi “beber” inspiração no concept Prophecy e foi desenvolvido em termos de design por SangYup Lee, o responsável pelo design da marca, sendo que esta evolução segue o conceito “Pure Flow, Refined” e pretende corrigir um dos aspetos que não era do agrado de alguns no modelo anterior: a complexidade visual da traseira!
Desaparece assim o volumoso spoiler superior, mantendo-se uma extensão aerodinâmica tipo ducktail. Na dianteira, o capot surge agora mais elevado, com o perfil em “nariz de tubarão”, as finas luzes diurnas e os faróis Matrix LED integrados numa zona inferior para criar uma presença mais limpa e sofisticada e onde a assinatura luminosa Parametric Pixel identifica imediatamente o modelo como da família IONIQ.
Estas mudanças não são apenas estéticas pois o coeficiente de resistência aerodinâmica mantém-se nos 0,21 sendo este um valor excecional (o adjetivo faz sentido) num automóvel de produção e até esta eficiência é uma parte central da sua proposta de valor, pois em vez de depender exclusivamente de uma bateria de grande dimensão e mais pesada, o IONIQ 6 reduz a energia necessária para vencer o ar.
Interior ergonómico, quase totalmente premium
No habitáculo, a Hyundai apostou numa evolução pragmática, centralizando tudo na consola central com muitos comandos físicos, até o dos vidros (com benefícios na assemblagem e custos pois todos ficam no mesmo local) e permanecem os dois ecrãs de 12,3″, um dedicado à instrumentação e outro ao sistema de informação e entretenimento.
Esta combinação entre superfícies digitais e botões tradicionais encontra-se bem conseguida, sendo uma solução mais intuitiva do que os interiores que concentram praticamente tudo num único ecrã tátil.
A montagem revela solidez, com alinhamentos cuidados e uma apresentação tecnologicamente coerente. Materiais interessantes, suaves e revestimentos de origem sustentável, embora ainda resistam alguns plásticos mais rígidos.
A distância entre eixos garante um espaço muito generoso para as pernas dos passageiros traseiros, sendo que a linha descendente do tejadilho limita a altura disponível atrás para ocupantes mais altos; a bagageira não possui a versatilidade dos SUV mas é o compromisso associado à procura da máxima eficiência aerodinâmica – eu não encontrei problemas.
Condução – A serenidade e comportamento
O IONIQ 6 foi pensado, acima de tudo, para ser um elétrico eficiente para longas distâncias. A direção é precisa, comunicativa e progressiva, a carroçaria controla corretamente os movimentos e o baixo centro de gravidade beneficia a estabilidade em curva e o comportamento referencial.
Esta versão de tração traseira apresenta o equilíbrio mais interessante entre eficiência, autonomia e comportamento, enquanto a variante de dois motores e tração integral acrescenta motricidade e desempenho. Sinceramente? Andar com este motor de 228cv é puro prazer – o carro “cola-se” à estrada, a direção é excelente em precisão, peso e feedback da estrada e o comportamento parece um tração total, tal a eficiência do conjunto, mesmo quando “provocado”.
Não é uma berlina desportiva tradicional mas não está longe; a forma silenciosa, fluida e previsível como percorre quilómetros, o isolamento acústico e a reduzida turbulência aerodinâmica contribuem para um ambiente particularmente sereno em viagens; mesmo com jantes de 20 polegadas não noto que prejudicam o conforto em pisos degradados. Acredito que podemos aumentar a eficiência, suavidade e distância por carga com jantes de 18 polegadas, isto do ponto de vista técnico, mas pessoalmente prefiro estas.
Bateria e autonomia
Com a bateria de 84 kWh, pode alcançar 680 quilómetros de autonomia WLTP, dependendo da configuração, motorização e dimensão das jantes e a plataforma elétrica E-GMP que utiliza uma arquitetura de 800 V – pouco comum neste segmento, ou seja a bateria pode passar dos 10% aos 80% em aproximadamente 18 minutos.
Inovação e inteligência artificial
A inovação do IONIQ 6 não está na presença de um assistente de “inteligência artificial” mas na multiplicidade de sensores, software e algoritmos para aumentar a eficiência e reduzir o esforço do condutor.
Por exemplo, o Smart Regenerative Braking System 3.0 adapta automaticamente a intensidade da regeneração às condições de circulação e permite uma condução próxima do conceito de “one pedal”; já Highway Driving Assist 2 combina o controlo da velocidade, manutenção da distância e assistência à permanência e mudança de faixa mesmo sendo sistema de assistência de nível 2 e não de condução autónoma e as atualizações over-the-air e a função Vehicle-to-Load já nem são tema.
A proposta de valor
O IONIQ 6 foi desenvolvido sobre a plataforma E-GMP do Hyundai Motor Group na fábrica de Asan, na Coreia do Sul e possui o seu centro técnico em Rüsselsheim, na Alemanha, e o centro de testes no circuito de Nürburgring.
O renovado IONIQ 6 vem demonstrar que a autonomia pode ser aumentada através da aerodinâmica, da eficiência energética e do carregamento ultrarrápido, e não apenas instalando baterias cada vez maiores e mais pesadas.
Trata-se de um automóvel tão competente, fácil de conduzir – mesmo com este tamanho, que serve para percorrer frequentemente médias e longas distâncias, dispõe de carregamento rápido e apresenta-se como uma alternativa aos SUV. Convincente com uma estética mais elegante (e desportiva), um interior ainda mais elegante e uma bateria de 84 kWh que amplia significativamente a sua capacidade para viajar.
Sim, a visibilidade traseira é condicionada pela carroçaria (mas as câmaras ajudam – aliás nós vamos deixar de precisar do espelho retrovisor daqui a uns anos); a altura disponível na segunda fila pode ter limitações mas poucos elétricos se podem orgulhar de um aerodinâmica apurada e de tecnologias poderosas da mobilidade por perto de 60.000€.

















