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Futuro da Hyundai é revelado: saiba o que vai mudar

Automonitor

Apresentado no CEO Investor Day 2026, o plano traça o caminho da marca até ao final da década e estabelece uma meta de 5,55 milhões de veículos vendidos anualmente em todo o mundo em 2030, correspondentes a uma quota global de 6%

Mais modelos, novas formas de eletrificação, automóveis capazes de percorrer cerca de 1.000 quilómetros, baterias mais rápidas a carregar, condução autónoma, inteligência artificial, robotáxis e até robôs humanoides nas fábricas. A Hyundai revelou aquele que será o seu roteiro para os próximos anos e deixou perceber que a transformação pretendida vai muito além dos automóveis que hoje encontramos nos concessionários.

Apresentado no CEO Investor Day 2026, o plano traça o caminho da marca até ao final da década e estabelece uma meta de 5,55 milhões de veículos vendidos anualmente em todo o mundo em 2030, correspondentes a uma quota global de 6%.

Mas os números de vendas são apenas uma parte da estratégia. A Hyundai prepara mais de 100 lançamentos e atualizações de modelos, quer entrar em segmentos onde atualmente tem pouca ou nenhuma presença e prevê que os veículos eletrificados representem 60% das suas vendas em 2030, contra 23% em 2025.

Ao mesmo tempo, prepara uma nova geração de baterias, veículos elétricos de autonomia alargada, automóveis cada vez mais definidos por software e sistemas de condução autónoma. E há uma segunda transformação em curso: a Hyundai quer aproveitar a Boston Dynamics, a NVIDIA e outras parcerias tecnológicas para fazer da inteligência artificial e da robótica uma nova área de negócio.

“Os nossos fundamentos nunca foram tão sólidos. O Hyundai Motor Group é o terceiro maior grupo automóvel e o segundo mais rentável, o que nos dá a capacidade de investir enquanto outros estão a recuar”, afirmou José Muñoz, presidente e CEO da Hyundai Motor Company.

O responsável resumiu a dimensão da mudança: “Estamos a aproveitar as parcerias para expandir novas tecnologias e oportunidades e a transformar-nos numa empresa de IA física, que irá produzir e implementar robôs e robotáxis.”

Mais de 100 modelos e novidades começam já a chegar

A primeira grande frente será aquela que os clientes verão mais rapidamente: os automóveis.

A Hyundai pretende lançar ou renovar mais de 100 modelos a nível mundial até 2030, incluindo 41 lançamentos na Europa. Mais de 18 representarão entradas em segmentos onde atualmente não está presente ou tem uma representação reduzida.

E não será necessário esperar pelo final da década. Só nos próximos oito meses estão previstos sete novos modelos.

Entre as novidades anunciadas encontram-se o Hyundai IONIQ 3, os novos TUCSON e TUCSON Hybrid, o primeiro SANTA FE EREV, um SUV elétrico do segmento A para a Índia, um novo SUV do segmento B para o mercado global e outro SUV do segmento B especificamente destinado à Europa.

O TUCSON continuará a desempenhar um papel central. Com mais de 10 milhões de unidades vendidas em todo o mundo, é o modelo global de maior sucesso da Hyundai.

Na Europa, a estratégia passa por cobrir 85% do mercado com um portefólio totalmente eletrificado e aumentar as vendas de veículos elétricos para mais de 420 mil unidades em 2030.

O IONIQ 3 será uma das primeiras peças dessa ofensiva. A comercialização está prevista para o último quadrimestre de 2026, com uma autonomia anunciada de 496 quilómetros no ciclo WLTP.

Quase 1.000 quilómetros sem a ansiedade da autonomia

Uma das mudanças mais importantes está escondida por detrás de uma nova sigla: EREV, ou veículo elétrico de autonomia alargada.

A tecnologia procura juntar características de um elétrico a bateria à segurança proporcionada por uma fonte de energia adicional a bordo, reduzindo a dependência dos postos de carregamento em viagens longas.

O primeiro SANTA FE EREV deverá chegar no primeiro semestre de 2027 e a Hyundai aponta para mais de 960 quilómetros de autonomia total.

A Genesis, marca de luxo do grupo, irá ainda mais longe. Está previsto para 2027 um SUV EREV capaz de superar os 1.000 quilómetros.

A eletrificação continuará, contudo, a abranger diferentes soluções. Na América do Norte, por exemplo, a Hyundai pretende disponibilizar mais de dez modelos híbridos até 2030, prevendo que estes representem metade das vendas da marca na região.

Baterias vão carregar 40% mais depressa

Para suportar essa transformação, a Hyundai está também a desenvolver internamente uma nova geração de células de bateria.

Segundo a marca, as novas células conseguem fornecer mais do dobro da potência das anteriores células com elevado teor de níquel e permitem reduzir o tempo de carregamento em 40%.

Os próximos elétricos deverão ainda recorrer a células NMC com teor médio de níquel que, segundo o construtor, poderão reduzir o custo das baterias em aproximadamente 30%.

A Hyundai quer igualmente prolongar a sua duração. O sistema de gestão de bateria baseado na nuvem deverá permitir aumentar a vida útil média em 20% até 2028.

A segurança é outra das áreas em desenvolvimento. Uma nova tecnologia denominada Proteção contra Fuga Térmica foi concebida para impedir que, perante um problema numa célula, o calor se propague às células vizinhas. A estreia está prevista na Genesis.

O automóvel será cada vez mais um computador sobre rodas

Outra das grandes mudanças acontecerá numa parte do automóvel que o condutor praticamente não vê.

A Hyundai está a desenvolver uma arquitetura destinada aos chamados veículos definidos por software, na qual os dados recolhidos pelos automóveis são analisados para desenvolver novas funcionalidades, que posteriormente podem regressar ao veículo através de atualizações remotas.

O novo sistema de infoentretenimento Pleos Connect e o agente de inteligência artificial generativa Gleo AI fazem parte dessa estratégia.

A Hyundai está também a padronizar a arquitetura de sensores dos seus automóveis em torno do ecossistema da NVIDIA, permitindo integrar e analisar os dados recolhidos por diferentes veículos do grupo.

E a escala computacional prevista é considerável.

Mais de 50 mil GPUs para alimentar a inteligência artificial

A partir de 2029, a Hyundai prevê colocar em funcionamento o Centro de Dados de IA de Saemangeum.

A instalação terá uma potência de 100 megawatts e capacidade para albergar mais de 50 mil GPUs, que serão utilizadas para processar os enormes volumes de informação produzidos pelos veículos e pelos sistemas industriais do grupo.

A intenção é usar esses dados para desenvolver inteligência artificial, melhorar os veículos definidos por software e acelerar a evolução da condução autónoma.

O Hyundai Motor Group vende atualmente mais de sete milhões de veículos por ano. Transformar parte dessa frota numa fonte contínua de dados permitirá, segundo a empresa, acelerar a aprendizagem dos seus sistemas de IA.

Primeiro Hyundai com condução autónoma de Nível 2+ chega em 2028

O plano para a condução autónoma também já tem calendário.

Ainda este ano, a Atria AI começará a recolher dados em estradas reais na Coreia do Sul, procurando aprender a lidar com situações inesperadas de circulação.

O passo seguinte chegará em 2028. Em colaboração com a NVIDIA, a Hyundai pretende aplicar tecnologia de condução autónoma de Nível 2+ ao seu primeiro veículo definido por software produzido em série.

A evolução será progressiva e a ambição de longo prazo passa por desenvolver uma gama de capacidades que chegue ao Nível 4 de condução autónoma.

Robotáxis começam a sair das fábricas ainda este ano

Há outra tecnologia que deverá chegar mais cedo.

Os primeiros robotáxis Hyundai IONIQ 5 destinados à Waymo serão entregues no quarto trimestre de 2026.

Produzidos na Metaplant America do grupo, na Geórgia, os veículos deverão apoiar uma futura expansão internacional dos serviços de robotáxis a partir de 2027.

A Motional utilizará igualmente o IONIQ 5 quando lançar o seu serviço comercial sem condutor.

E a Hyundai também quer produzir humanoides

É aqui que o plano abandona definitivamente as fronteiras tradicionais da indústria automóvel.

Através da Boston Dynamics, a Hyundai está a preparar a comercialização de robôs e prevê começar a utilizar o humanoide industrial Atlas na Metaplant America a partir de 2028.

O Robot Metaplant Application Center, inaugurado nos EUA em junho, deverá aumentar dez vezes de dimensão até ao final deste ano. O objetivo é reproduzir ambientes industriais reais para treinar robôs, recolher dados e testar as máquinas antes de estas chegarem às linhas de produção.

A capacidade prevista para a produção de robôs nos EUA será de 30 mil unidades anuais a partir de 2028.

Mas a ambição não acaba nas fábricas.

“Estamos a construir os robôs Spot e Stretch e, em breve, iremos produzir em massa os robôs humanoides Atlas”, explicou José Muñoz.

A Hyundai estuda inclusivamente utilizar a sua atual rede de concessionários para vender robôs, enquanto a Hyundai Capital avalia formas de financiar a sua aquisição.

Hyundai N também vai crescer

O futuro não será exclusivamente elétrico, autónomo ou robotizado. A Hyundai quer igualmente aumentar o peso dos modelos destinados aos entusiastas.

A divisão Hyundai N pretende atingir 100 mil unidades vendidas anualmente até 2030, apoiada pela chegada de novos modelos desportivos de maior volume.

Também a Genesis entra na segunda década com objetivos mais ambiciosos. A marca de luxo pretende chegar a mais de 40 mercados e atingir 350 mil vendas anuais em 2030, com novos híbridos, EREV e o SUV GV90.

A meta: 5,55 milhões de automóveis por ano

Toda esta transformação terá de se traduzir em crescimento.

A Hyundai pretende aumentar a capacidade mundial de produção em 1,27 milhões de veículos até 2030, dos quais mais 500 mil serão produzidos na América do Norte, 320 mil na Índia e 200 mil na Coreia do Sul.

O objetivo final mantém-se nos 5,55 milhões de veículos vendidos anualmente e numa quota mundial de 6%.

Mas o plano apresentado no CEO Investor Day mostra que a Hyundai de 2030 pretende ser bastante diferente da atual. O automóvel continuará no centro do negócio, mas estará rodeado por baterias desenvolvidas internamente, inteligência artificial, software, condução autónoma, robotáxis e até robôs humanoides.

É essa a transformação com que a Hyundai quer preparar os próximos quatro anos — e que começa a chegar aos automóveis já nos próximos meses.