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Termina hoje a suspensão da produção da Dacia e da Ford nas fábricas da Roménia

Automonitor

A Dacia e a Ford terminam esta quarta-feira a suspensão voluntária da produção nas respetivas fábricas na Roménia, uma medida adotada no início do mês devido à redução da disponibilidade de eletricidade associada à crise hídrica que afeta o país.

A Dacia e a Ford terminam esta quarta-feira a suspensão voluntária da produção nas respetivas fábricas na Roménia, uma medida adotada no início do mês devido à redução da disponibilidade de eletricidade associada à crise hídrica que afeta o país. A paralisação foi acordada pelas duas fabricantes com as autoridades romenas e representa uma redução de cerca de 200 megawatts no consumo de eletricidade.

A suspensão chega ao fim numa altura em que a Roménia continua a enfrentar os efeitos da seca e do baixo caudal do Danúbio, situação que afetou o funcionamento da central nuclear de Cernavodă, uma das principais fontes de eletricidade do país. A escassez de água obrigou as autoridades a procurar soluções para garantir o funcionamento dos sistemas de arrefecimento da central e preservar a estabilidade do abastecimento energético.

A decisão da Dacia e da Ford foi anunciada a 3 de agosto pelo primeiro-ministro romeno, Ilie Bolojan, depois de uma reunião com representantes de cerca de 80 empresas industriais. Na ocasião, o chefe do Governo explicou que algumas empresas tinham iniciado trabalhos de manutenção e reparação, enquanto as duas fabricantes automóveis optaram por interromper temporariamente a produção.

“Algumas empresas iniciaram trabalhos de manutenção e reparação. A Dacia e a Ford suspenderam a produção desde hoje até 19 de agosto, o que representa uma redução do consumo de 200 megawatts”, afirmou Ilie Bolojan, citado pela agência EFE.

Crise hídrica condicionou produção de eletricidade
A origem da medida está na situação particularmente preocupante do rio Danúbio, cujo caudal caiu para o nível mais baixo dos últimos 40 anos. A redução resultou da combinação de vários fatores: a falta de precipitação, a diminuição da água proveniente do degelo dos Alpes e as sucessivas ondas de calor que atingiram a região nas semanas anteriores.

A diminuição do caudal do Danúbio teve consequências diretas para a produção de eletricidade na central nuclear de Cernavodă, onde funcionam dois reatores com uma capacidade conjunta de cerca de 1.400 megawatts. Essa produção representa aproximadamente 20% do consumo de eletricidade da Roménia.

A situação agravou-se a 28 de julho, quando um dos reatores da central foi desligado. Desde então, as autoridades romenas têm procurado garantir o funcionamento do segundo reator através do aumento do nível da água disponível para o respetivo sistema de arrefecimento.

A escassez de água tornou-se, assim, um problema não apenas ambiental, mas também energético e industrial, ao obrigar o Governo e os grandes consumidores a procurar formas de reduzir a pressão sobre a rede elétrica.

Dacia e Ford reduziram o consumo em 200 megawatts
Foi neste contexto que a Dacia e a Ford aceitaram suspender temporariamente a produção. A medida permitiu retirar uma parcela significativa do consumo industrial da rede durante um período de pressão sobre a produção e a disponibilidade de eletricidade.

As duas empresas deveriam manter as linhas de produção paradas até esta quarta-feira, 19 de agosto, data estabelecida no acordo anunciado pelo Governo romeno. O objetivo foi contribuir para equilibrar o consumo enquanto as autoridades tentavam preservar a capacidade de produção elétrica disponível.

A redução de 200 megawatts associada à suspensão das duas fábricas assumiu particular importância devido à dimensão das instalações industriais e ao elevado consumo energético necessário para manter em funcionamento as respetivas linhas de produção.

Além da suspensão da atividade das fabricantes automóveis, outras empresas avançaram com trabalhos de manutenção e reparação, aproveitando o período de menor atividade para reduzir temporariamente a pressão sobre o sistema elétrico.

Empresas e Governo também limitaram consumo nas horas de maior procura
A estratégia das autoridades romenas não ficou limitada à suspensão da produção automóvel. O Governo e os grandes consumidores industriais chegaram também a um acordo para reduzir voluntariamente o consumo de eletricidade entre as 19:00 e as 23:00, período identificado como aquele em que a procura atinge níveis mais elevados.

Ilie Bolojan apelou ainda aos cidadãos, empresas e instituições para adotarem medidas de poupança energética, numa tentativa de evitar a necessidade de avançar para restrições obrigatórias.

Segundo o primeiro-ministro, as medidas voluntárias já estavam a produzir efeitos. A 3 de agosto, o governante afirmou que, durante a manhã desse dia, o consumo de eletricidade tinha ficado 200 megawatts abaixo do habitual.

Na altura, o Governo admitia, contudo, que poderia avançar para medidas mais restritivas caso a redução voluntária do consumo não fosse suficiente para responder às dificuldades provocadas pela menor disponibilidade de eletricidade.

Danúbio deverá continuar a perder caudal

Quando a suspensão foi anunciada, a situação do Danúbio permanecia particularmente delicada. O caudal encontrava-se nos 1.450 metros cúbicos por segundo, mas Ilie Bolojan previa que pudesse cair para cerca de 1.400 metros cúbicos por segundo até ao final da semana.

A evolução do nível do rio era acompanhada com especial atenção devido à sua importância para o sistema de arrefecimento da central nuclear de Cernavodă. A necessidade de preservar água suficiente para garantir o funcionamento seguro das instalações tornou-se uma das principais preocupações das autoridades.

Apesar das dificuldades, o Governo romeno procurou transmitir uma mensagem de tranquilidade relativamente ao abastecimento energético. O executivo garantiu que a segurança do fornecimento de eletricidade não estava em risco e considerou que o recurso a maiores volumes de eletricidade importada não deveria provocar uma subida significativa dos preços.

Problemas semelhantes também atingem a Hungria

A Roménia não foi o único país da região afetado pelo baixo nível do Danúbio. A Hungria enfrentou problemas semelhantes devido à redução do caudal do rio e anunciou que iria desligar, nas 48 horas seguintes ao anúncio de 3 de agosto, o último reator ainda em funcionamento da sua única central nuclear.

A situação evidenciou a dimensão regional dos efeitos da falta de água e das temperaturas elevadas, numa altura em que vários países europeus enfrentam pressão simultânea sobre os recursos hídricos e os sistemas de produção de energia.

Na Roménia, a suspensão temporária da Dacia e da Ford foi uma das medidas mais visíveis tomadas para reduzir a pressão sobre a rede elétrica. Esta quarta-feira, 19 de agosto, termina o período de paralisação definido para as duas fabricantes, encerrando uma suspensão diretamente relacionada com uma crise energética provocada, neste caso, pela falta de água necessária à produção e ao arrefecimento numa infraestrutura nuclear essencial para o país.

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