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Estas novas câmaras com IA detetam se está a olhar para o telemóvel enquanto conduz. País vizinho já as está a testar

Busy crowded traffic jam on the road
Automonitor

Sistema utiliza duas câmaras de alta definição — uma horizontal e outra instalada em altura — montadas num reboque equipado com um mastro que pode atingir sete metros

A inteligência artificial está a começar a chegar também à fiscalização rodoviária. O Serviço Catalão de Trânsito está a testar um novo sistema de câmaras capaz de identificar condutores que usam o telemóvel ao volante ou que não levam o cinto de segurança corretamente colocado.

Segundo o ’20 Minutos’, o sistema utiliza duas câmaras de alta definição — uma horizontal e outra instalada em altura — montadas num reboque equipado com um mastro que pode atingir sete metros.

O equipamento pode ser deslocado entre diferentes pontos da rede rodoviária e foi testado entre junho e julho nas autoestradas A-2 e AP-7.

Durante esse período, as câmaras analisaram cerca de 310 mil veículos.

Mais de 8.500 potenciais infrações

Os resultados do teste revelaram mais de 8.500 potenciais infrações relacionadas com o uso do telemóvel ao volante, o equivalente a cerca de 2,8% dos veículos analisados.

Aproximadamente metade desses casos envolvia condutores que utilizavam o telemóvel no colo.

Este comportamento é considerado particularmente preocupante porque pode obrigar o condutor a desviar o olhar da estrada durante mais tempo do que quando segura o dispositivo à frente do corpo.

A inteligência artificial analisa as imagens captadas pelas câmaras e procura padrões compatíveis com comportamentos de risco.

Cinto de segurança também é analisado

O sistema foi igualmente utilizado para verificar se condutores e ocupantes estavam a utilizar corretamente o cinto de segurança.

Segundo os dados citados pelo 20 Minutos, foram identificadas cerca de 4.500 potenciais infrações, correspondentes a aproximadamente 1,1% dos casos analisados.

Mas a tecnologia ainda não é infalível.

Uma revisão posterior feita por pessoas encontrou mais situações do que aquelas que tinham sido assinaladas automaticamente, tanto no uso do telemóvel como no cinto de segurança.

Isto significa que o algoritmo ainda terá de ser aperfeiçoado antes de poder ser utilizado como ferramenta de fiscalização mais direta.

Telemóvel mais usado durante o horário de trabalho

O teste permitiu também perceber em que momentos estes comportamentos são mais frequentes.

O uso do telemóvel ao volante foi detetado com maior frequência durante o horário de trabalho.

Já as infrações relacionadas com o cinto de segurança aumentaram sobretudo nas noites de fim de semana.

Estes dados poderão ajudar as autoridades a perceber melhor quando e onde concentrar futuras ações de fiscalização.

Ainda não houve multas

Apesar do número de potenciais infrações identificadas, nenhuma multa foi aplicada com base nas imagens recolhidas durante este projeto-piloto.

O objetivo atual é avaliar a capacidade da tecnologia, perceber as suas limitações e melhorar a precisão da deteção automática.

O sistema serve, nesta fase, como ferramenta experimental de apoio à análise e não como mecanismo autónomo de contraordenação.

Tecnologia pode entrar no plano 2027-2030

O Serviço Catalão de Trânsito admite integrar esta tecnologia no futuro Plano de Segurança Rodoviária 2027-2030.

A prioridade poderá passar por estradas ou troços onde as distrações ao volante estejam mais diretamente associadas a acidentes.

Caso o sistema avance para uma fase operacional, a inteligência artificial poderá ser usada para filtrar grandes volumes de imagens e assinalar automaticamente situações suspeitas para posterior confirmação.

Ou seja, a câmara não teria necessariamente a última palavra, mas poderia funcionar como uma primeira triagem.

Para já, o teste em Espanha mostra que a fiscalização rodoviária poderá tornar-se cada vez mais automatizada — e que comportamentos até agora difíceis de detetar à distância, como usar o telemóvel no colo, podem passar a ser muito mais visíveis.