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A China não quer carros clássicos nas estradas. Esta empresa encontrou a solução: fazê-los de novo

Automonitor

Ter um automóvel clássico e conduzi-lo na estrada pode ser um passatempo perfeitamente normal em grande parte do mundo. Na China, a história é bastante diferente

Ter um automóvel clássico e conduzi-lo na estrada pode ser um passatempo perfeitamente normal em grande parte do mundo. Na China, a história é bastante diferente. As fortes restrições à importação e matrícula de automóveis usados vindos do estrangeiro tornam os grandes clássicos internacionais praticamente inacessíveis a quem pretende realmente conduzi-los.

Foi perante este problema que um pequeno grupo de entusiastas encontrou uma solução pouco convencional: se não podem importar os clássicos de que gostam, porque não construir automóveis novos que se parecem com eles?

A história é contada pelo ‘L’Automobile Magazine’ e tem como protagonista a FullGood Motors, uma empresa de Pequim que nasceu a partir de um clube de motociclistas com mais de 30 anos de história. Em 2020, vários dos seus membros começaram a desenvolver a ideia de produzir na própria China automóveis modernos inspirados nos grandes clássicos.

A necessidade ajuda a explicar o projeto. O parque automóvel chinês é extraordinariamente jovem: segundo a publicação francesa, a idade média dos veículos em circulação ronda apenas 4,8 anos, enquanto entre os automóveis elétricos fica abaixo dos dois anos. Ao mesmo tempo, o país chega a receber mais de uma centena de novos modelos por mês.

No extremo oposto estão os clássicos. As regras chinesas dificultam fortemente a importação e matrícula de automóveis usados provenientes do estrangeiro, deixando os veículos históricos sobretudo nas mãos de colecionadores ricos, que os mantêm como peças de coleção ou investimento em vez de os utilizarem regularmente.

Existem algumas exceções. Automóveis históricos podem circular em determinados eventos, como o 1000 Miglia Experience, e os veículos com mais de 100 anos beneficiam de regras menos restritivas. Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, está também em discussão um projeto que poderá permitir a entrada de alguns veículos selecionados, embora sujeitos a localização permanente por GPS.

A FullGood Motors decidiu contornar o problema de outra forma. Depois de obter o estatuto de fabricante automóvel, aproximou-se da BYD e conseguiu convencer o maior construtor chinês a colaborar num primeiro protótipo.

O resultado foi o Dolphin SS, um automóvel moderno inspirado na Chevrolet Corvette C1 dos anos 1950, mas construído sobre a base de um modelo elétrico da BYD. Não pretende ser uma réplica rigorosa: recupera sobretudo as proporções e vários elementos visuais de um clássico, escondendo por baixo tecnologia contemporânea.

E a experiência não ficou por aí. A FullGood estabeleceu posteriormente parcerias com as empresas Nanjing e Jinlong e criou outros protótipos. Um deles chama-se Summer e recupera a imagem das carrinhas dos anos 1960, numa interpretação que faz lembrar a Volkswagen Combi, mas com uma arquitetura moderna.

Há ainda a Rocket, claramente inspirada nas extravagantes Cadillac Series 62 de 1959, com as formas e referências estéticas da era dourada dos automóveis americanos, e a Hot-Rock, concebida à imagem dos tradicionais hot rods.

A pequena empresa chegou também às três rodas, desenvolvendo uma interpretação da Morgan Three-Wheeler com uma conceção própria mais profunda do que nos primeiros projetos.

Por enquanto, são sobretudo conceitos e exercícios de estilo, e não substitutos perfeitos dos automóveis históricos que os inspiraram. Mas a ideia da FullGood Motors resume uma peculiaridade do mercado chinês: num país onde colocar um verdadeiro clássico estrangeiro na estrada pode ser extremamente difícil, talvez seja mais simples construir um novo.