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O Shelby que derrotou a Ferrari pode tornar-se um dos automóveis mais caros de sempre em leilão

Automonitor

Estrela do leilão da Gooding Christie’s, integrado no prestigiado Pebble Beach Concours d’Elegance, é o exemplar com o chassis CSX2300, considerado um dos mais importantes da história do automobilismo americano

Há automóveis raros e depois há verdadeiras lendas. Um dos seis Shelby Cobra Daytona Coupé alguma vez construídos vai a leilão nos Estados Unidos e poderá ultrapassar os 25 milhões de dólares (cerca de 21,5 milhões de euros), tornando-se um dos automóveis mais caros de sempre vendidos em hasta pública, avança o ’20 Minutos’.

A estrela do leilão da Gooding Christie’s, integrado no prestigiado Pebble Beach Concours d’Elegance, é o exemplar com o chassis CSX2300, considerado um dos mais importantes da história do automobilismo americano.

O interesse não se explica apenas pela raridade. Este é o único dos seis Shelby Cobra Daytona Coupé que pertenceu ao próprio Carroll Shelby, criador do modelo, e o único campeão mundial da categoria GT da FIA construído nos Estados Unidos.

O automóvel criado para derrotar a Ferrari

No início da década de 1960, a Ferrari 250 GTO dominava as corridas de Grande Turismo. Para enfrentar o rival italiano, Carroll Shelby decidiu transformar o Cobra Roadster num automóvel muito mais eficiente em velocidade.

O designer Peter Brock desenvolveu uma carroçaria fechada revolucionária, muito mais aerodinâmica, que permitia ao Daytona Coupé ultrapassar os 300 km/h, algo extraordinário para a época.

A aposta revelou-se vencedora. Em 1965, a Shelby American conquistou o Campeonato do Mundo de GT da FIA, quebrando a hegemonia da Ferrari e tornando-se a primeira fabricante dos Estados Unidos a vencer um título mundial na categoria.

Esse sucesso abriu ainda caminho ao programa Ford GT40, que viria a dominar as 24 Horas de Le Mans entre 1966 e 1969.

Uma carreira nas pistas que durou mais do que todas as outras

Segundo o ’20 Minutos’, o CSX2300 estreou-se em competição no Tour de France Automobile de 1964 e participou em algumas das provas de resistência mais famosas do mundo, como Daytona, Sebring, Nürburgring e Reims.

Ao contrário dos restantes Daytona Coupé, este exemplar continuou a competir mesmo depois de terminado o programa oficial da Shelby American, prolongando a carreira até 1968 em competições disputadas no Japão, incluindo o Grande Prémio do Japão e provas no circuito de Fuji.

Essa trajetória faz dele o Shelby Cobra Daytona com o historial competitivo mais longo de toda a série.

O único que Carroll Shelby guardou para si

Em 1975, o historiador Michael L. Shoen conseguiu localizar o automóvel e convenceu Carroll Shelby a comprá-lo.

O criador do Daytona Coupé manteve-o durante mais de 20 anos e promoveu uma restauração completa para devolver o carro à configuração de competição de 1965, apresentando-o regularmente em eventos dedicados à marca.

Nas últimas duas décadas, o atual proprietário continuou a preservar essa tradição, exibindo o automóvel em alguns dos maiores eventos internacionais de clássicos, incluindo o Festival de Velocidade de Goodwood.

Uma peça única da história do automobilismo

O CSX2300 mantém a icónica pintura azul com faixas brancas e o número 12 nas portas. Debaixo do capô continua a estar o lendário V8 Ford de 4,7 litros, com cerca de 385 cv e 450 Nm de binário.

Dependendo da afinação utilizada em cada circuito, o Daytona Coupé era capaz de atingir velocidades entre 290 e 315 km/h, números impressionantes para um automóvel desenvolvido há mais de seis décadas.

Segundo a Gooding Christie’s, trata-se de uma oportunidade praticamente irrepetível para colecionadores. Se alcançar o valor esperado, este Shelby poderá entrar para a história como um dos automóveis mais caros alguma vez vendidos em leilão.