Um seguro automóvel barato pode tornar-se muito caro. Uma franquia elevada, uma cobertura em falta ou um limite reduzido podem transformar uma pequena poupança anual numa despesa de milhares de euros.
A responsabilidade civil automóvel é obrigatória. Porém, cumprir a lei não significa estar protegido contra todos os riscos. Antes de assinar, compare propostas e perceba o que está incluído. Conheça os erros mais comuns e saiba como evitá-los.
1. Escolher o seguro apenas pelo preço
O prémio anual é importante, mas não deve ser o único critério. Duas propostas com preços semelhantes podem ter coberturas, franquias e limites diferentes. A opção mais barata pode excluir proteção jurídica, veículo de substituição ou assistência em viagem mais abrangente.
Compare condições equivalentes. Confirme o custo anual, mesmo quando o pagamento é fracionado, e analise o que receberá em caso de sinistro. O objetivo não é encontrar o seguro automóvel mais barato, mas a proteção adequada pelo melhor preço.
2. Confundir o seguro obrigatório com proteção do próprio carro
O seguro de responsabilidade civil cobre os danos causados a terceiros e às pessoas transportadas, com exceção do condutor. Não paga, por regra, os danos sofridos pelo veículo responsável pelo acidente.
Esta diferença é relevante num carro novo, financiado ou com valor elevado. Nesses casos, pode fazer sentido contratar danos próprios, que podem incluir colisão, furto, roubo, incêndio, fenómenos da natureza ou vandalismo.
Avalie o valor do automóvel, a capacidade para suportar uma reparação e o impacto que a perda do veículo teria no orçamento. Só depois deve escolher o nível de proteção.
3. Acreditar que “todos os riscos” significa cobertura total
A expressão “seguro contra todos os riscos” induz em erro. Nenhuma apólice cobre todas as situações. O seguro de danos próprios inclui apenas os riscos previstos no contrato e mantém exclusões, limites e franquias.
Peça a lista das coberturas e leia as condições gerais e particulares. Confirme se estão incluídos furto ou roubo, quebra de vidros, vandalismo, fenómenos naturais e danos provocados pelo próprio condutor. Verifique também quando pode a seguradora recusar a indemnização.
4. Aceitar uma franquia elevada para baixar o prémio
Uma franquia mais alta reduz, geralmente, o preço do seguro. Mas aumenta a parte do prejuízo que fica a cargo do tomador em caso de sinistro. Pode ser um valor fixo ou uma percentagem aplicada ao capital seguro.
Imagine que poupa algumas dezenas de euros por ano, mas fica responsável pelos primeiros 1.000 euros de uma reparação. Se não tiver essa quantia disponível, o desconto deixa de compensar.
Compare o prémio com a franquia e escolha um montante que conseguiria pagar sem recorrer a crédito ou comprometer a poupança.
5. Não identificar corretamente o condutor habitual
O preço do seguro automóvel depende do risco. A idade, os anos de carta, o histórico de sinistros, o veículo e o local de residência podem influenciar o prémio. Colocar a apólice em nome de outra pessoa apenas para pagar menos pode criar problemas.
O proprietário, o tomador e o condutor habitual podem não ser a mesma pessoa, mas essa realidade deve ficar refletida no contrato. O mesmo cuidado aplica-se quando o carro passa a ser utilizado por um familiar.
Preste informação completa e atualize a seguradora sempre que houver uma alteração relevante.
6. Ignorar limites, exclusões e condições
Ter uma cobertura na apólice não significa que a proteção seja ilimitada. A assistência em viagem pode variar quanto ao reboque ou ao transporte dos passageiros. O veículo de substituição pode estar disponível apenas em determinadas situações e por poucos dias.
Também a quebra de vidros, a proteção jurídica ou a privação de uso podem ter capitais máximos. Leia as exclusões e peça exemplos práticos. Pergunte o que acontece numa avaria, num acidente com culpa, num furto ou quando o carro fica na oficina.
7. Renovar automaticamente sem rever o seguro
O veículo desvaloriza, os hábitos mudam e o mercado apresenta novas propostas. Ainda assim, muitos condutores deixam o seguro renovar sem confirmar se as coberturas continuam adequadas.
Reveja a apólice todos os anos. Compare duas ou três propostas, considerando o prémio, as franquias e a proteção. Confirme o impacto do histórico de sinistros e das regras de bónus ou agravamento.
Se decidir mudar, respeite o prazo de denúncia e garanta que a nova apólice começa antes de a anterior terminar. Poupar é importante, mas nunca deve deixar o veículo sem cobertura válida.






