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Le Mans em tamanho de bolso: mini Ford GT40 aguenta cinco dias num teste insólito

Automonitor

Ford fez história em Le Mans há 60 anos, ao tornar-se a primeira — e até hoje única — marca dos Estados Unidos a vencer a famosa corrida de resistência. Agora, num ano de aniversário para essa saga, o GT40 voltou a cumprir uma proeza de endurance, mas em versão de bolso

Um Ford GT40 voltou a dar uma lição de resistência. Desta vez, porém, não foi em Le Mans, não teve pilotos e não precisou sequer de combustível. Era um Hot Wheels à escala 1:64, preso a uma passadeira improvisada, e conseguiu rodar durante cinco dias, uma hora, 10 minutos e 42 segundos antes de finalmente ceder.

A experiência foi destacada pelo site ‘The Drive’ e realizada pelo canal ‘Diecast Endurance‘, dedicado a um nicho muito específico: pôr miniaturas metálicas a rodar até falharem. Para o teste, foi escolhido um Hot Wheels Ford GT40 Mark IV, inspirado no carro que deu à Ford a vitória nas 24 Horas de Le Mans de 1967.

O detalhe torna a história ainda mais curiosa. A Ford fez história em Le Mans há 60 anos, ao tornar-se a primeira — e até hoje única — marca dos Estados Unidos a vencer a famosa corrida de resistência. Agora, num ano de aniversário para essa saga, o GT40 voltou a cumprir uma proeza de endurance, mas em versão de bolso.

O “circuito” não tinha nada de sofisticado. A equipa usou uma lixadeira de cinta virada de lado como uma espécie de banco de ensaio. Um clip de plástico mantinha o pequeno carro no lugar, permitindo que as rodas girassem livremente e que a carroçaria se movesse como se estivesse realmente em andamento.

A transmissão, neste caso, era simples: a passadeira rodava, as rodas acompanhavam e a câmara ficava a registar tudo. A experiência foi transmitida em direto em 12 partes, embora exista também uma versão condensada de cerca de cinco minutos para quem não tenha paciência para acompanhar cinco dias de tortura automóvel em miniatura.

Antes de partir, o Hot Wheels percorreu o equivalente a 13.549 milhas à escala, cerca de 21.800 quilómetros, a uma velocidade equivalente de 111 mph, aproximadamente 179 km/h. Para uma miniatura que cabe na palma da mão, é quase uma epopeia mecânica.

O ponto fraco foram as rodas. Em contacto permanente com a superfície abrasiva da lixadeira, começaram a gastar-se até ficarem profundamente marcadas. As rodas dianteiras acabaram por bloquear, cobertas por uma camada de resíduos plásticos que dava ao pequeno GT40 o aspeto de ter acabado uma prova real de resistência.

O desgaste foi tão agressivo que até a pintura na parte interior das cavas das rodas ficou danificada. No fim, o carro parecia menos um brinquedo de prateleira e mais um veterano de corrida, com marcas, sulcos e sinais claros de uma batalha perdida contra a fricção.

A experiência deixa uma pergunta absurda, mas inevitável: teria o Hot Wheels ido mais longe com um banco de ensaio mais adequado ou rodas mais resistentes? O ‘The Drive’ admite essa possibilidade, lembrando que a lixadeira acabou por ser uma adversária tão dura quanto o próprio teste.

O canal ‘Diecast Endurance’ já tinha testado outras miniaturas, incluindo um Toyota Soarer Z30, conhecido nos Estados Unidos como Lexus SC de primeira geração. Esse modelo atingiu uma velocidade à escala superior, mas percorreu menos distância: 7.964,8 milhas à escala, cerca de 12.818 quilómetros, ao longo de três dias, quatro horas, 41 minutos e 49 segundos.

No fim, a graça da história está precisamente no contraste. O GT40 nasceu para vencer uma das corridas mais exigentes do mundo. Décadas depois, uma versão em miniatura voltou a ser levada ao limite, não por engenheiros da Ford, mas por entusiastas dispostos a descobrir quanto tempo aguenta um carro de brincar antes de se desfazer.

É uma história pequena, literalmente, mas com alma de grande corrida. Sem boxes, sem público, sem troféu e sem piloto, este Hot Wheels acabou por fazer aquilo que qualquer bom GT40 deve fazer: resistir mais do que parecia razoável.