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Parou 88 segundos numa bomba de gasolina para ir buscar água ao carro e recebeu conta de 372 euros

Automonitor

O proprietário da estação de serviço, Nikoll Bibaj, defende a medida, alegando que o espaço é propriedade privada.

Uma paragem de apenas 88 segundos numa estação de serviço austríaca acabou por se transformar numa reclamação de 372 euros. O caso aconteceu em Wöllersdorf-Steinabrückl, na Baixa Áustria, e envolve um condutor que entrou no recinto de uma bomba de gasolina apenas para abrir a bagageira e retirar uma garrafa de água.

Duas semanas depois, Jakob P. recebeu uma carta de um advogado a exigir o pagamento de 372 euros. Segundo os responsáveis pela estação de serviço, o condutor utilizou o espaço sem abastecer combustível, uma prática expressamente proibida pela propriedade.

“Estive exatamente um minuto e 28 segundos naquele terreno”, explicou o condutor ao diário austríaco ‘Kronen Zeitung’.

Câmaras registam todos os movimentos

A estação de serviço, que entretanto já deixou de funcionar, tinha instalado um sistema de vigilância capaz de registar detalhadamente quem entra nas instalações, quem abastece e quem utiliza o recinto para outros fins.

Segundo o relato, ações como dar a volta, parar durante alguns instantes, trocar de condutor, comparar preços ou fazer uma pausa podem resultar numa reclamação económica.

Embora existam cartazes informativos à entrada, vários afetados consideram que os avisos são pouco visíveis. Muitos condutores só percebem as consequências quando recebem a carta de cobrança.

Condutor consultou apoio jurídico

Depois de receber a reclamação, Jakob decidiu consultar a assistência jurídica do clube automóvel austríaco ÖAMTC e também um advogado particular.

Segundo explicou, ambos lhe recomendaram inicialmente que não pagasse e aguardasse para perceber se a empresa avançaria ou não para tribunal.

As queixas multiplicaram-se entretanto na internet. Entre os casos relatados está o de Anita K., que fez uma breve paragem com o marido enquanto viajavam de motocicleta. Ambos receberam posteriormente pedidos de pagamento e, segundo contaram, uma segunda carta oferecia até a possibilidade de pagar a quantia em prestações.

Jakob criticou ainda o tom usado nas comunicações enviadas aos condutores. “A carta do advogado está redigida de forma muito agressiva para que as pessoas paguem rapidamente antes de pensarem demasiado”, afirmou.

Proprietário defende que se trata de propriedade privada

O proprietário da estação de serviço, Nikoll Bibaj, defende a medida, alegando que o espaço é propriedade privada.

Segundo explicou, é proibido parar, virar ou atravessar as instalações sem abastecer. Nem sequer é permitido entrar apenas para consultar os preços dos combustíveis. “Os preços também se podem ver a partir da estrada”, argumentou.

Bibaj afirmou ainda que pretende rescindir o contrato com a empresa responsável pela vigilância, mas disse que o acordo só pode ser cancelado no final do ano.

Bomba já fechou, mas vigilância continua

O caso tornou-se ainda mais invulgar porque a estação de serviço já não está em funcionamento. Ainda assim, o acesso continua a ser vigiado e atravessar o recinto permanece proibido enquanto o contrato com a empresa de controlo estiver ativo.

Os condutores que passam pela zona continuam, por isso, a encontrar cartazes de aviso e câmaras que registam qualquer movimento.

A combinação entre uma bomba encerrada, propriedade privada, vigilância ativa e cartas de cobrança transformou esta pequena estação de serviço austríaca numa das histórias mais insólitas do verão: uma paragem de menos de minuto e meio para ir buscar água ao carro acabou numa reclamação de 372 euros.