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BNP Paribas vê nova aceleração dos carros elétricos: vendas na Europa sobem 19,6% ‘arrastadas’ pelos combustíveis mais caros

Automonitor

Em abril, as vendas de veículos elétricos na Europa cresceram 19,6% face ao mesmo mês do ano anterior, mantendo uma trajetória positiva pelo quarto mês consecutivo

A adoção de veículos elétricos deverá acelerar na Europa e na China ao longo de 2026, impulsionada pela subida dos preços dos combustíveis, pelo reforço da infraestrutura de carregamento e pelo apoio público à mobilidade elétrica. A análise é da equipa Markets 360 do BNP Paribas, que aponta a União Europeia como o principal motor de crescimento global do mercado elétrico este ano.

Em abril, as vendas de veículos elétricos na Europa cresceram 19,6% face ao mesmo mês do ano anterior, mantendo uma trajetória positiva pelo quarto mês consecutivo. O destaque vai para os veículos 100% elétricos, os BEV, que registaram uma subida de 37,7%, enquanto os híbridos plug-in cresceram 17,2%.

O relatório do BNP Paribas sublinha que a narrativa positiva para o mercado europeu de veículos elétricos permanece intacta e poderá até ganhar força, num contexto marcado pelo aumento dos preços dos combustíveis e pela entrada crescente de veículos elétricos chineses na região. A quota total dos elétricos nas novas matrículas europeias manteve-se em 67,3% em abril, com BEV e híbridos plug-in a ganharem peso face aos híbridos convencionais.

A China também voltou a surpreender pela positiva. As vendas grossistas de veículos elétricos cresceram 9,2% em abril, apesar de o mercado total de veículos ligeiros ter recuado 4,2%. A penetração dos elétricos atingiu um recorde de 62,7%, superando a fasquia dos 60% pela primeira vez. Os BEV cresceram 7,5% e os híbridos plug-in avançaram 9,3%, sinalizando uma possível retoma do interesse depois de um primeiro trimestre mais fraco.

Segundo o BNP Paribas, o prolongamento do conflito no Médio Oriente voltou a colocar a eletrificação no centro das decisões de consumo, à medida que os condutores sentem o impacto dos preços mais elevados dos combustíveis. A expectativa é que a transição para BEV e híbridos plug-in seja mais evidente na China e na União Europeia, onde a infraestrutura de carregamento e os incentivos continuam a apoiar a compra de veículos elétricos.

O contraste com os Estados Unidos é claro. O mercado americano de veículos elétricos voltou a recuar em abril, com uma quebra de 7,6% face ao período homólogo, o sétimo mês consecutivo de crescimento negativo. As vendas de BEV caíram 33,1% e as de híbridos plug-in desceram 40,8%, enquanto os híbridos convencionais cresceram 10,9% e passaram a dominar mais de 70% do mercado elétrico americano.

Para o BNP Paribas, a falta de infraestrutura de carregamento e de incentivos financeiros nos EUA deverá continuar a favorecer os híbridos convencionais em detrimento dos elétricos puros e dos híbridos plug-in, sobretudo num cenário de preços de energia mais elevados.

A aceleração da mobilidade elétrica está também a ter impacto no mercado das matérias-primas. A subida dos preços do lítio, que se mantêm acima dos 20 dólares por quilo, cerca de 18,4 euros, está a incentivar o regresso de capacidade mineira e novos investimentos, sobretudo em projetos de espodumena de custos mais elevados.

Entre os projetos destacados estão o reinício da mina Finniss, da Core Lithium, na Austrália, com produção anual prevista de 15 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente e primeiras entregas esperadas no quarto trimestre de 2026. A Mineral Resources planeia também reativar o projeto Bald Hill, igualmente na Austrália, com produção anual estimada de 17,5 mil toneladas e primeiras entregas previstas para o terceiro trimestre de 2026.

O relatório assinala ainda a expansão do projeto Mount Holland, detido pela SQM e pela Wesfarmers, que recebeu aprovação para duplicar a capacidade anual de produção para 4,4 milhões de toneladas de espodumena. Apesar da possibilidade de maior oferta na segunda metade de 2026, o BNP Paribas considera improvável uma queda do preço do lítio abaixo dos 20 dólares por quilo, salvo uma mudança significativa no sentimento do mercado.

A leitura do BNP Paribas aponta, assim, para uma nova fase da mobilidade elétrica global: a Europa lidera o crescimento, a China mostra sinais de recuperação e os Estados Unidos continuam a ficar para trás, com os híbridos convencionais a dominar a procura. Ao mesmo tempo, a pressão sobre baterias e matérias-primas reforça o papel estratégico do lítio na transição energética.