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Se beber, o carro pode nem arrancar: UE exige sistema antiálcool nos novos veículos a partir de julho. O que está em causa?

Automonitor

Em causa está o chamado ‘alcolock’, um dispositivo que funciona como um alcoolímetro ligado ao sistema de ignição do automóvel

A União Europeia prepara-se para dar mais um passo no combate à condução sob o efeito do álcool, com a obrigatoriedade de os carros novos matriculados nos Estados-Membros passarem a estar preparados para receber um sistema que impede o arranque do veículo quando o condutor ultrapassa o limite legal de álcool. O ‘El Economista’ explica que a medida entra em vigor a 7 de julho de 2026 e tem como objetivo reduzir uma das principais causas de sinistralidade rodoviária.

Em causa está o chamado ‘alcolock’, um dispositivo que funciona como um alcoolímetro ligado ao sistema de ignição do automóvel. Antes de ligar o motor, o condutor sopra para o aparelho, que analisa o ar expirado e comunica o resultado ao veículo. Se o nível de álcool estiver acima do limite permitido, o motor não arranca.

A tecnologia não é nova, mas ganha agora maior relevância com a estratégia europeia para reforçar a segurança dos veículos novos. Segundo o ‘El Economista’, vários estudos indicam que este tipo de sistema pode reduzir até 65% os acidentes relacionados com o consumo de álcool.

A medida, contudo, não significa que todos os condutores tenham de soprar para um alcoolímetro sempre que entram no carro. O que passa a ser obrigatório é a pré-instalação da tecnologia nos veículos novos, ou seja, os automóveis terão de estar preparados para receber o dispositivo. A utilização permanente ficará dependente de decisão judicial ou administrativa, nomeadamente para condutores reincidentes em infrações relacionadas com álcool ao volante.

Na prática, os fabricantes terão de garantir que os veículos novos matriculados a partir da data definida já incluem a infraestrutura necessária para instalar o ‘alcolock’. O equipamento poderá depois ser ativado nos casos em que as autoridades determinem essa obrigação.

Países como Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Finlândia e França já têm vindo a integrar esta tecnologia em determinados contextos, sobretudo como resposta a condutores reincidentes. A lógica europeia é tornar o sistema mais facilmente aplicável, reduzindo barreiras técnicas e acelerando a sua utilização quando for necessário.

A condução sob o efeito do álcool continua a ser uma preocupação central para as autoridades rodoviárias, apesar das campanhas de sensibilização, das operações policiais e do agravamento das sanções. O ‘alcolock’ surge, por isso, como uma medida preventiva: em vez de punir apenas depois da infração, tenta impedir que o veículo arranque quando há risco acrescido.

Para os condutores, a mudança mais imediata não será visível em todos os casos. Mas, para fabricantes e autoridades, representa uma alteração importante no desenho dos veículos novos: a segurança deixa de depender apenas do comportamento do condutor e passa também por sistemas tecnológicos capazes de bloquear decisões perigosas antes de chegarem à estrada.