A Galp concluiu o corredor de carregamento elétrico ultrarrápido nas autoestradas A1 e A2, numa rede que passa a ligar o Norte ao Sul do país com 96 tomadas distribuídas por oito hubs. O investimento, de 6,1 milhões de euros, foi assinalado esta terça-feira na área de serviço de Pombal, na A1, numa cerimónia que contou com a presença do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
A infraestrutura está instalada nas áreas de serviço de Pombal e Aveiras, na A1, e de Alcácer do Sal e Aljustrel, na A2, dois dos principais eixos rodoviários nacionais. No total, a rede tem uma potência instalada de 20 MW e foi pensada para responder às necessidades de viagens de médio e longo curso em veículos elétricos.
“São mais de 550 km que vão ligar o Norte ao Sul do país. São 96 carregadores. São cerca de seis milhões de euros de investimento, que representam cerca de 10% daquilo que a Galp já investiu em mobilidade elétrica neste país”, afirmou João Marques da Silva, co-presidente executivo da Galp, durante a inauguração do hub elétrico de Pombal, no sentido Norte-Sul da A1.
Segundo a empresa, os novos pontos de carregamento permitem recuperar a bateria útil em menos de 20 minutos, com tempos ainda mais rápidos nos veículos compatíveis com potências de carregamento superiores. As plataformas estão integradas em áreas de serviço com oferta de conveniência e incluem zonas cobertas, iluminação reforçada e soluções de pagamento integradas.
A conclusão do projeto demorou 16 meses, período que, segundo João Marques da Silva, refletiu também dificuldades associadas aos processos de licenciamento. Aos jornalistas, o responsável defendeu a necessidade de acelerar esses mecanismos.
“Se isto é uma prioridade para o país, temos que agilizar esses mecanismos de licenciamento entre todas as entidades que intervêm, para que o cliente não tenha que esperar 15 meses, desde o momento de início da construção até à conclusão, que hoje estamos a inaugurar”, afirmou.
Desde 2020, a Galp já investiu cerca de 60 milhões de euros em mobilidade elétrica. Em Portugal e Espanha, a empresa conta com mais de 10 mil tomadas públicas e privadas, uma infraestrutura que tem vindo a duplicar anualmente, segundo a energética.
Miguel Pinto Luz destacou o papel da eletrificação na mobilidade e reconheceu que ainda há trabalho a fazer na simplificação dos processos. “A eletrificação é um enorme desafio com o qual o Governo está comprometido, avançando de forma transversal em várias áreas da mobilidade e da economia”, afirmou o ministro das Infraestruturas.
O governante sublinhou ainda que Portugal é atualmente o sexto país europeu na adoção de carros elétricos e que a infraestrutura tem de acompanhar esse crescimento. “É algo que o Governo também está comprometido: a desburocratização e a possibilidade de acelerarmos todos estes processos. Para além de os tornar transparentes, temos de os acelerar, isso é inegável”, admitiu.
Para Miguel Pinto Luz, o investimento da Galp é também um sinal de que a transição energética pode ser encarada como uma oportunidade económica. O ministro defendeu que Portugal não pode “virar as costas” às alterações climáticas, mas deve garantir que a transformação cria também condições para o desenvolvimento de negócio.
Também presente na cerimónia, António Pires de Lima, presidente executivo da Brisa, destacou a existência de 260 postos de carregamento nas autoestradas geridas pela empresa, mas alertou para a necessidade de levar esta realidade para além das principais vias e cidades.
“Por isso, o meu apelo para que, num registo, porventura, de maior parceria entre Estado e operadores privados, possamos estender esta realidade, que já é muito positiva nas autoestradas e nas principais cidades, a todo o país”, afirmou o responsável da Brisa.
Com este corredor ultrarrápido, a Galp reforça a sua estratégia de expansão da rede de carregamento público e privado nos principais corredores rodoviários da Península Ibérica. O objetivo é reduzir tempos de paragem, dar maior previsibilidade às viagens longas em elétrico e acompanhar o crescimento da mobilidade elétrica em Portugal.






