As portagens em troços da A2 e da A6 deixaram de ser cobradas a residentes e empresas do Alentejo a partir desta quarta-feira, 1 de abril, com a entrada em vigor da Portaria n.º 131/2026. A medida, prevista no Orçamento do Estado para 2026, pretende aliviar os custos de mobilidade numa região onde o transporte rodoviário é essencial para a vida diária e atividade económica.
A isenção aplica-se na A2, entre o nó A2/A6/A13 e Almodôvar, e na A6, entre o mesmo nó e Caia, abrangendo milhares de utilizadores locais. Em causa está uma resposta direta a um problema antigo: o peso das portagens num território com menor densidade populacional e forte dependência das deslocações em automóvel.
Mas há um detalhe que pode apanhar muitos de surpresa: a isenção não é automática.
Para beneficiar, os condutores têm de ter um dispositivo eletrónico de portagem — como a Via Verde — e, sobretudo, pedir a associação desse identificador ao regime de isenção. Sem esse passo, o sistema não reconhece o direito ao benefício e as portagens continuam a ser cobradas normalmente.
O pedido é feito junto do fornecedor do serviço de portagem e implica a apresentação de documentos como o certificado de matrícula ou o registo de propriedade do veículo. No caso de carros em leasing, é ainda necessário um documento da entidade locadora com identificação do utilizador.
Depois de validado, o acesso à isenção produz efeitos à data do pedido, mas não é definitivo: tem validade de um ano e exige renovação anual. Caso o utilizador não comprove que continua a cumprir os critérios dentro do prazo, o sistema desassocia automaticamente o veículo, obrigando a um novo pedido.
A medida abrange praticamente todo o território alentejano — incluindo Alto Alentejo, Alentejo Central, Baixo Alentejo e Alentejo Litoral — e deverá ter impacto direto em setores como a agricultura, a logística, o turismo ou a indústria agroalimentar, fortemente dependentes destas vias.
Mais do que um alívio imediato para famílias e empresas, o Governo pretende com esta isenção reforçar a coesão territorial e estimular a economia regional. Ainda assim, a eficácia da medida dependerá, em grande parte, de um passo simples — mas essencial — que muitos terão agora de garantir para não continuarem a pagar.






