Um simples excesso de velocidade transformou-se numa multa de 120 mil euros — um valor que parece absurdo à primeira vista, mas que tem uma explicação surpreendente.
O caso aconteceu na Finlândia e está a chamar a atenção a nível internacional. Um milionário foi apanhado a conduzir a 59 km/h numa zona urbana onde o limite era de 30 km/h. Um excesso de 29 km/h que, em muitos países, resultaria numa coima relativamente moderada, mas que aqui levou a uma penalização de seis dígitos.
O protagonista é Anders Wiklöf, um dos homens mais ricos da região autónoma de Åland, proprietário de um grupo com mais de 20 empresas.
“Se cometi um erro, aceito”
Apesar do valor elevado, o empresário não contestou a multa.
“Se cometi um erro, cometi. Não há mais nada a dizer”, afirmou, citado pela imprensa local, sublinhando que não pretende recorrer da decisão.
Wiklöf admitiu que conduzia “um pouco demasiado rápido” e elogiou a atuação das autoridades, descrevendo os agentes como “educados e simpáticos”.
Curiosamente, o caso poderia ter sido ainda mais grave. Se tivesse excedido o limite por mais 1 km/h, teria enfrentado uma infração considerada muito grave, com possível retirada da carta durante vários meses.
Porque pode uma multa atingir estes valores?
A explicação está no sistema legal finlandês, que calcula as multas em função do rendimento do infrator.
Em vez de um valor fixo, o montante é determinado com base na declaração de rendimentos, através de um mecanismo conhecido como “dias de multa”. Quanto maior o rendimento, maior o valor a pagar.
No caso de excessos de velocidade considerados graves — mais de 20 km/h acima do limite — o número de “dias” aumenta, fazendo disparar o valor final.
Ou seja, para um condutor comum, a mesma infração poderia custar algumas centenas de euros. Para um milionário, pode ultrapassar facilmente os 100 mil.
Não é caso único — e não é a primeira vez
Este não é um episódio isolado na vida de Anders Wiklöf.
Em 2023, o empresário já tinha sido sancionado com uma multa ainda mais elevada, de cerca de 121 mil euros, além de uma suspensão temporária da carta de condução.
Ao longo dos últimos 13 anos, terá pago perto de 400 mil euros em multas de trânsito, segundo a imprensa local.
Um sistema que divide opiniões
O modelo finlandês é frequentemente apontado como um exemplo de justiça proporcional, garantindo que a penalização tem um impacto real independentemente da riqueza do infrator.
Mas também levanta debate. Para alguns, trata-se de um sistema mais justo. Para outros, é um modelo difícil de aplicar noutros países.
Certo é que este caso voltou a colocar uma pergunta em cima da mesa: quanto deve custar, afinal, um excesso de velocidade?
E a resposta pode depender — mais do que da infração — da conta bancária de quem vai ao volante.






