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Uma Harley-Davidson com motores de avião? Alguém achou que era boa ideia. E conseguiu fazê-la andar

Uma Harley-Davidson com motores de avião? Alguém achou que era boa ideia. E conseguiu fazê-la andar
Automonitor

Em vez de recuperar o tradicional motor de dois cilindros em V, Mikka resolveu fazer algo muito mais radical

Uma Harley-Davidson Street Glide estava destinada a terminar os seus dias num ferro-velho. Mas Matt Mikka, criador de conteúdos conhecido pelo canal ‘Warped Perception’, decidiu que aquela moto merecia um destino bem diferente. E o resultado é uma máquina que parece ter saído de uma experiência entre engenheiros aeronáuticos e apaixonados por motos.

Em vez de recuperar o tradicional motor de dois cilindros em V, Mikka resolveu fazer algo muito mais radical: substituir a propulsão convencional por dois motores a reação, transformando a Harley-Davidson numa espécie de avião sem asas.

O projeto recebeu o nome de Jet Glide e exigiu aproximadamente 400 horas de trabalho, segundo a publicação italiana ‘Moto.it’.

Dois motores a reação e nenhuma transmissão convencional

A transformação foi muito além de uma simples alteração mecânica. Os dois pequenos motores a reação foram instalados no espaço anteriormente ocupado pelas malas laterais, enquanto um depósito adicional de querosene foi integrado na estrutura da moto.

A mudança tornou desnecessários vários componentes fundamentais de uma Harley-Davidson tradicional. A Jet Glide não precisa de caixa de velocidades nem de transmissão mecânica para a roda traseira, uma vez que se desloca exclusivamente graças ao impulso produzido pelas turbinas.

Para adaptar os novos componentes, Mikka recorreu a técnicas de corte a laser e impressão 3D, utilizadas nomeadamente na produção de proteções térmicas especiais.

A eletrónica também exigiu um trabalho complexo de calibração para permitir controlar os motores e assegurar o funcionamento do conjunto.

E sim, esta Harley-Davidson consegue mesmo andar

Uma coisa é construir uma moto com dois motores a reação. Outra, bastante diferente, é conseguir colocá-la em movimento.

Nos primeiros testes, a Jet Glide ultrapassou os 100 km/h, demonstrando que a transformação não se ficou por uma experiência estática.

Mas há outro pormenor que torna esta Harley-Davidson particularmente invulgar: o som. Em vez do característico ronco grave dos motores de Milwaukee, a Jet Glide produz um ruído ensurdecedor, semelhante ao de um avião a jato a passar a baixa altitude.

Naturalmente, não estamos perante uma solução destinada à produção em série ou uma alternativa prática aos motores convencionais. Trata-se de uma criação experimental, construída para explorar os limites da engenharia e da imaginação.

Ainda assim, há algo de irresistível nesta história: uma moto que estava prestes a ser destruída acabou transformada numa máquina movida por turbinas, capaz de circular sem sequer transmitir potência à roda traseira.

E pensar que tudo começou com uma Harley-Davidson que já ninguém queria.

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