Basta pensar num Ferrari para que a imagem surja quase automaticamente: carroçaria vermelha, linhas desportivas e o famoso cavalo empinado. Mas há uma curiosidade que muitos desconhecem. A cor mais emblemática da Ferrari não foi inventada pela marca italiana e a sua história começou muito antes de Enzo Ferrari construir o primeiro automóvel com o seu nome.
O vermelho tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos da indústria automóvel, mas a sua origem está nas primeiras competições internacionais, numa época em que os automóveis de corrida eram identificados pelas cores dos países que representavam.
Tudo começou com uma regra das corridas
No início do século XX, as competições internacionais de automobilismo utilizavam cores nacionais para distinguir os participantes. Os automóveis britânicos eram tradicionalmente verdes, os franceses azuis e os italianos vermelhos. Os alemães, por sua vez, ficaram associados ao branco e, posteriormente, ao prateado.
Foi neste contexto que surgiu o Rosso Corsa, expressão italiana que significa “vermelho de corrida”.
Ao contrário do que muitos imaginam, esta tonalidade não pertencia à Ferrari. Era utilizada por diferentes fabricantes italianos, incluindo marcas como a Alfa Romeo e a Maserati.
Quando Enzo Ferrari fundou a Scuderia Ferrari, em 1929, o vermelho já fazia parte da tradição italiana nas pistas. E quando a Ferrari começou a produzir automóveis com a sua própria marca, em 1947, essa ligação estava consolidada.
O que aconteceu depois transformou uma simples cor nacional num dos maiores símbolos da história automóvel.
A Fórmula 1 fez o resto
Segundo explica o ‘Motor1’, a participação da Ferrari na Fórmula 1 foi decisiva para transformar o vermelho num símbolo reconhecido em todo o mundo.
A marca italiana participa no campeonato desde a temporada inaugural, em 1950, e atravessou diferentes gerações de pilotos, regulamentos e automóveis sem abandonar a sua identidade cromática.
Dos tempos de Niki Lauda e Gilles Villeneuve ao domínio de Michael Schumacher, passando pelas gerações mais recentes, os monolugares vermelhos tornaram-se uma presença incontornável nas pistas.
A televisão ajudou a completar essa transformação. Milhões de espectadores passaram a reconhecer um Ferrari à distância, muitas vezes antes de conseguirem distinguir o número do piloto ou os patrocinadores.
Mas há outro pormenor interessante: nem todos os vermelhos da Ferrari são iguais.
Afinal, existem vários vermelhos Ferrari
O Rosso Corsa continua a ser a tonalidade mais conhecida, mas está longe de ser a única.
O Rosso Scuderia, por exemplo, apresenta uma tonalidade mais viva e ficou particularmente associado aos monolugares de Fórmula 1. Já o Rosso Fiorano é mais escuro e discreto, enquanto o Rosso Dino oferece uma interpretação diferente da cor tradicional.
Isto significa que dois Ferrari vermelhos estacionados lado a lado podem apresentar diferenças bastante visíveis.
E apesar da associação quase automática ao vermelho, os clientes da marca podem escolher inúmeras outras cores, desde o azul e o verde até ao preto, cinzento ou amarelo.
Aliás, o amarelo tem uma importância especial na história da Ferrari: está associado à cidade de Modena, terra natal de Enzo Ferrari, e serve de fundo ao famoso emblema do cavalo empinado.
E porque é que nem todos os Ferrari são vermelhos?
Curiosamente, a força desta tradição também leva alguns compradores a escolher outras cores.
Para quem procura exclusividade, um Ferrari azul, verde ou preto pode ser uma forma de se distinguir dos exemplares que correspondem à imagem mais tradicional da marca.
A personalização tornou-se, por isso, uma parte importante da experiência de compra, permitindo criar automóveis com combinações de cores e acabamentos muito diferentes.
Mas há algo que dificilmente mudará: quando alguém imagina um Ferrari, a primeira cor que lhe vem à cabeça continua a ser o vermelho.
E pensar que tudo começou com uma convenção das corridas, numa altura em que a Ferrari ainda nem sequer existia.






