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Desapareceu há 25 anos. Agora a Honda foi buscar ao passado um dos seus carros mais especiais

Francisco Laranjeira

A sexta geração já está disponível em Portugal e representa uma mudança considerável em relação ao último Prelude que saiu de produção, em 2001. Mas a história começou muito antes disso

Nasceu em 1978, teve faróis retráteis, estreou direção às quatro rodas num automóvel produzido em série, recebeu tecnologia VTEC e chegou aos 200 cv. Depois desapareceu. Um quarto de século mais tarde, o Honda Prelude regressou às estradas — agora como híbrido — e recupera um nome que atravessou algumas das fases tecnologicamente mais interessantes da história da marca japonesa.

Foram precisos 25 anos para o Honda Prelude voltar.

A sexta geração já está disponível em Portugal e representa uma mudança considerável em relação ao último Prelude que saiu de produção, em 2001. Mas a história começou muito antes disso.

Foi em 1978 que a Honda apresentou no Japão a primeira geração do coupé, que chegaria à Europa no ano seguinte, através do Salão Internacional do Automóvel de Amesterdão.

Era baixo, tinha duas portas, levava quatro adultos e, na Europa, utilizava um motor a gasolina de quatro cilindros e 1,6 litros com 80 cv.

Começava aí uma história que atravessaria cinco gerações consecutivas e transformaria o Prelude numa espécie de montra tecnológica da Honda.

Dos faróis retráteis à tecnologia da Fórmula 1

A segunda geração chegou em 1983 e trouxe uma das imagens mais associadas aos desportivos daquela época: os faróis retráteis.

Não eram apenas uma escolha estética. Quando estavam desligados, ficavam alinhados com o capot, ajudando a reduzir a resistência aerodinâmica.

Em 1985, o Prelude passou também a estar disponível com o sistema de injeção multiponto PGM-FI, cuja tecnologia tinha sido desenvolvida pela Honda na Fórmula 1.

Havia ainda suspensão dianteira de duplo braço inspirada na competição e a possibilidade de contar com o sistema eletrónico antibloqueio de travões da marca.

Mas seria a geração seguinte a deixar uma das maiores marcas na história do modelo.

Em 1987 fez algo que nenhum automóvel de produção tinha feito

A terceira geração do Prelude estreou-se em 1987 e tornou-se o primeiro automóvel de produção em série do mundo disponível com direção às quatro rodas.

O sistema 4WS permitia que as rodas traseiras também mudassem de direção, trabalhando em conjunto com as dianteiras para melhorar a agilidade e o comportamento do automóvel.

A quarta geração, lançada em 1991, levou o sistema ainda mais longe através de controlo eletrónico.

Foi também nessa geração que o Prelude recebeu outra tecnologia que viria a tornar-se indissociável da história da Honda: o VTEC.

Entre os motores disponíveis encontrava-se um quatro cilindros de 2,2 litros equipado com o sistema de distribuição variável da marca.

Depois chegou a vetorização de binário

Em 1996 apareceu a quinta geração.

O desenho recuperou algumas das linhas mais tradicionais do Prelude original, mas por baixo da carroçaria a evolução tecnológica continuou.

O motor VTEC de 2,2 litros chegou aos 200 cv e a Honda introduziu o ATTS, sigla de Active Torque Transfer System.

Tratava-se de uma das primeiras aplicações de vetorização de binário: durante uma curva, o sistema podia transferir automaticamente mais potência para a roda dianteira exterior, procurando aumentar a aderência e reduzir a tendência para a subviragem.

Foi a última geração daquela primeira vida do Prelude.

A produção terminou em 2001.

25 anos depois, voltou — mas agora é híbrido

Em 2026, o nome regressou.

O novo Honda Prelude mantém a configuração de quatro lugares, mas entra numa época completamente diferente daquela em que desapareceu.

A sexta geração utiliza o sistema híbrido e, composto por um motor a gasolina de 2,0 litros e dois motores elétricos, com 315 Nm de binário.

Uma das novidades é o Honda S+ Shift. O Prelude não utiliza uma caixa de velocidades convencional, mas o sistema simula oito relações e controla as rotações do motor durante acelerações e desacelerações para reproduzir a sensação de uma passagem de caixa.

O Active Sound Control sincroniza ainda o som amplificado do motor através dos altifalantes com as indicações apresentadas ao condutor.

No interior há espaço para quatro ocupantes e, apesar da silhueta de coupé, uma grande porta traseira dá acesso a uma área de carga configurável.

O novo Prelude inclui também o conjunto de sistemas de segurança e assistência à condução Honda SENSING.

Quase meio século depois do primeiro modelo, a receita mudou profundamente. Mas a Honda recupera a ideia que acompanhou o Prelude desde 1978: utilizar um coupé como montra para algumas das tecnologias que quer colocar nas mãos do condutor.

O novo Honda Prelude Hybrid já está disponível em Portugal, com um preço chave na mão de 61.500 euros, e as primeiras unidades já foram entregues.

Mais Honda na Automonitor

A história do Prelude é apenas uma das muitas páginas invulgares da Honda. Na Automonitor já contámos como a marca tentou contornar as limitações do Mundial de Motociclismo com um extraordinário motor de pistões ovais, como uma Honda criada na Trofa conquistou uma competição europeia decidida por votos de 102 países e até como, depois de carros, motos e aviões, a fabricante japonesa se prepara para vender em 2027 um veículo que nunca tinha colocado no mercado: uma bicicleta.