Há algumas décadas, a ideia de um automóvel capaz de detetar obstáculos, medir distâncias e travar perante um perigo parecia saída de um filme de ficção científica. Hoje, estas tecnologias fazem parte do equipamento de milhões de veículos e ajudam os condutores a estacionar, manter a distância de segurança e evitar colisões.
Segundo o jornal espanhol ‘ABC’, os sensores ultrassónicos, radares, câmaras e sistemas laser constituem a base dos sistemas avançados de assistência à condução, conhecidos pela sigla ADAS.
Cada tecnologia desempenha uma função diferente. Algumas conseguem identificar obstáculos a poucos centímetros do automóvel, enquanto outras detetam veículos a dezenas ou centenas de metros de distância, mesmo em condições de visibilidade reduzida.
Sensores ultrassónicos: o princípio utilizado pelos morcegos
Já reparou nos pequenos círculos que existem nos para-choques de muitos automóveis?
São sensores ultrassónicos, particularmente úteis durante as manobras de estacionamento.
O seu funcionamento baseia-se num princípio semelhante ao da ecolocalização utilizada pelos morcegos: emitem ondas sonoras de alta frequência que atingem os objetos próximos e regressam ao sensor.
Ao medir o tempo que o sinal demora a regressar, o sistema calcula a distância até ao obstáculo.
É esta tecnologia que permite ouvir os avisos sonoros quando o automóvel se aproxima de uma parede, de outro veículo ou de um objeto durante uma manobra.
Em modelos mais avançados, os mesmos sensores podem contribuir para sistemas de estacionamento automático ou semiautomático.
Radares: conseguem detetar veículos mesmo com chuva ou nevoeiro
Quando o automóvel circula a velocidades mais elevadas, entram em ação outros dispositivos.
Os radares utilizam ondas eletromagnéticas para identificar veículos e outros obstáculos, calcular a distância a que se encontram e determinar a respetiva velocidade relativa.
Uma das suas principais vantagens é a capacidade de funcionar em condições de visibilidade reduzida, como chuva ou nevoeiro, embora o desempenho também possa ser afetado por condições meteorológicas extremas ou obstruções.
Esta tecnologia é fundamental para sistemas como o controlo de velocidade de cruzeiro adaptativo, que ajusta a velocidade do automóvel para manter uma distância de segurança em relação ao veículo da frente.
Também pode integrar os sistemas de travagem automática de emergência, concebidos para alertar o condutor e, em determinadas circunstâncias, intervir quando existe risco de colisão.
LiDAR: um mapa tridimensional do que rodeia o automóvel
Há ainda uma tecnologia mais sofisticada, utilizada em determinados veículos e projetos de condução automatizada: o LiDAR.
A sigla corresponde a Light Detection and Ranging, um sistema que utiliza impulsos de luz laser para medir distâncias.
Ao emitir e receber numerosos sinais luminosos, consegue construir uma representação tridimensional do ambiente em redor do automóvel.
Esta informação permite identificar a posição e a forma de objetos, incluindo veículos, peões, ciclistas e elementos da infraestrutura rodoviária.
Ao contrário dos sensores ultrassónicos, concebidos sobretudo para detetar obstáculos próximos, o LiDAR pode fornecer informação detalhada sobre uma área mais ampla.
Contudo, não está presente em todos os automóveis modernos e a sua eficácia depende das condições de utilização e das características do equipamento.
O verdadeiro segredo está na combinação dos sensores
Apesar das capacidades de cada tecnologia, os sistemas mais avançados não dependem necessariamente de um único dispositivo.
Em vez disso, combinam a informação recolhida por câmaras, radares, sensores ultrassónicos e, quando disponível, LiDAR.
Este processo é conhecido como fusão de sensores.
Através da análise conjunta dos diferentes sinais, o automóvel consegue construir uma representação mais completa do ambiente e compensar algumas das limitações individuais dos equipamentos.
Por exemplo, uma câmara pode ajudar a identificar as marcações da estrada, enquanto um radar mede a distância e a velocidade relativa de outro veículo.
A combinação destas informações permite que os sistemas de assistência tomem decisões com maior precisão, embora não elimine a possibilidade de erros.
Um pequeno toque no para-choques pode afetar a segurança?
Sim. E esta é uma das questões mais importantes para os condutores.
Segundo a iniciativa espanhola Elige Calidad, Elige Confianza, que reúne fabricantes de componentes associados à Sernauto, a eficácia dos sistemas ADAS depende diretamente da qualidade e do correto funcionamento dos dispositivos que os integram.
Um sensor danificado, uma câmara obstruída ou um radar desalinhado podem comprometer a capacidade do automóvel para identificar determinados perigos.
Por isso, após uma colisão, mesmo aparentemente ligeira, ou uma reparação que envolva componentes associados a estes sistemas, pode ser necessário verificar o seu funcionamento e efetuar procedimentos de calibração de acordo com as indicações do fabricante.
O mesmo cuidado pode ser necessário após determinadas substituições de para-brisas ou intervenções nos para-choques.
Há ainda uma regra fundamental: manter limpas as zonas onde estão instalados os sensores e as câmaras, especialmente quando existe acumulação de lama, gelo ou sujidade.
Estas tecnologias podem representar uma ajuda importante para a segurança rodoviária, mas não substituem a atenção do condutor nem garantem que todos os acidentes sejam evitados.
Afinal, aquilo que parecia ficção científica há algumas décadas já faz parte do quotidiano de muitos condutores. E, para que o automóvel consiga identificar os perigos da estrada, os seus próprios “olhos” têm primeiro de funcionar corretamente.






