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Este Bugatti Veyron tem mais de dez anos e parece saído de uma joalharia. Agora, volta ao lugar onde nasceu

Este Bugatti Veyron tem mais de dez anos e parece saído de uma joalharia. Agora, volta ao lugar onde nasceu
Automonitor

Mais de uma década depois de ter sido construído, o hipercarro regressou à fábrica da Bugatti, em Molsheim, França, para recuperar a sua aparência original

Há automóveis que parecem ter sido feitos para a estrada e outros que poderiam estar expostos numa galeria de arte. Este Bugatti Veyron Grand Sport Vitesse pertence à segunda categoria. Tem uma carroçaria em alumínio polido que reflete tudo à sua volta como um espelho, um interior revestido a couro vermelho e uma particularidade que o torna ainda mais especial: só existe um exemplar com esta configuração.

Mais de uma década depois de ter sido construído, o hipercarro regressou à fábrica da Bugatti, em Molsheim, França, para recuperar a sua aparência original. O resultado é uma segunda vida para um dos Veyron mais extravagantes alguma vez produzidos.

Segundo o ‘Motor1’, o automóvel, identificado pelo número de chassis 8.100, foi submetido a um processo de certificação e restauro através do programa La Maison Pur Sang, criado pela marca francesa para preservar a autenticidade dos seus modelos históricos.

Uma carroçaria que parece um espelho e um interior vermelho

A primeira coisa que chama a atenção neste Veyron é a ausência de pintura convencional. Em vez de esconder o metal sob uma camada de tinta, a Bugatti decidiu transformar o próprio alumínio no elemento principal do desenho.

A carroçaria foi cuidadosamente polida até adquirir um acabamento espelhado, capaz de refletir a luz e os objetos em redor. As formas do automóvel tornam-se assim ainda mais evidentes, num resultado que dificilmente passa despercebido.

E se o exterior é invulgar, o habitáculo não fica atrás. O couro vermelho-carmim contrasta com o alumínio prateado, enquanto a fibra de carbono exposta e os acabamentos feitos à mão reforçam o caráter exclusivo do conjunto.

A Bugatti explica que o projeto original começou com estudos de design dedicados à relação entre as proporções do automóvel, as superfícies e a luz.

A complexidade da construção foi tal que, segundo a marca, chegaram a ser transportados para Molsheim blocos de alumínio com até 20 toneladas, utilizados no processo de criação desta carroçaria singular.

Não se tratava simplesmente de produzir mais um Veyron com uma combinação de cores diferente. O objetivo era criar um exemplar que se distinguisse pela própria matéria de que era feito.

Porque regressou à fábrica mais de dez anos depois?

Com o passar dos anos, este Bugatti recebeu algumas alterações e elementos de personalização que o afastaram da configuração em que tinha sido originalmente concebido.

Foi precisamente para inverter essas modificações que o chassis 8.100 regressou a Molsheim.

A intervenção ficou a cargo dos especialistas do programa La Maison Pur Sang, dedicado à certificação, preservação e recuperação dos automóveis históricos da Bugatti.

Os trabalhos incluíram uma análise à autenticidade do exemplar, operações de restauro e a remoção de personalizações acrescentadas posteriormente.

O objetivo não era transformar o Veyron num automóvel diferente, mas devolver-lhe a identidade que tinha quando saiu da fábrica, preservando simultaneamente a sua história.

Concluído o processo, o hipercarro recebeu a certificação La Maison Pur Sang e passou a integrar a coleção de um novo proprietário na Côte d’Azur, no sul de França.

A identidade do proprietário não foi revelada. O ‘Motor1’ refere, contudo, que Fernando Alonso já foi visto a conduzir este exemplar nas ruas do Mónaco, embora isso não permita concluir que o automóvel lhe pertença.

Por detrás do brilho está um dos motores mais extraordinários da Bugatti

Apesar da aparência quase delicada, este Veyron está longe de ser apenas uma peça de exposição.

O Grand Sport Vitesse utiliza o célebre motor W16 com quatro turbocompressores, uma configuração que ajudou a transformar a Bugatti numa referência de desempenho extremo.

Em 2013, o modelo estabeleceu um recorde de velocidade para automóveis de produção descapotáveis, ao atingir 408,84 km/h.

Foi um resultado particularmente impressionante para um automóvel concebido para circular sem tejadilho.

A marca viria a superar esse registo em 2024, quando o Bugatti Mistral, baseado na arquitetura da Chiron, alcançou 453,91 km/h.

Mas os números ajudam também a perceber porque é que exemplares como este são tão valorizados.

A produção total da Veyron ficou limitada a 450 unidades. A sua sucessora, a Chiron, chegou às 500, enquanto a nova Tourbillon, equipada com um motor V16, terá uma produção de apenas 250 exemplares.

É neste universo de automóveis extremamente raros que programas como o La Maison Pur Sang ganham importância. Mais do que restaurar componentes ou recuperar acabamentos, procuram documentar a história de cada veículo e preservar as características que o tornam único.

No caso deste Veyron, isso significou recuperar uma carroçaria que parece saída de uma joalharia e devolver ao automóvel o aspeto que os seus criadores imaginaram há mais de dez anos.

E há uma ironia curiosa nesta história: numa marca conhecida por construir alguns dos automóveis mais rápidos do mundo, este é daqueles que apetece observar demoradamente, mesmo quando está completamente parado.