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A BMW explicou porque está a abandonar as caixas de velocidades manuais. E o problema não é a falta de condutores interessados

A BMW explicou porque está a abandonar as caixas de velocidades manuais. E o problema não é a falta de condutores interessados
Automonitor

Frank van Meel, responsável pela divisão BMW M, explicou recentemente por que motivo o futuro da caixa manual está cada vez mais comprometido

Para muitos apaixonados pela condução, nada substitui a sensação de escolher uma mudança, controlar a embraiagem e sentir uma ligação mais direta ao automóvel.

Mas as caixas manuais estão a desaparecer dos modelos desportivos, mesmo daqueles que durante anos fizeram desta solução uma parte importante da sua identidade.

A BMW é um dos exemplos mais evidentes desta transformação. E Frank van Meel, responsável pela divisão BMW M, explicou recentemente por que motivo o futuro da caixa manual está cada vez mais comprometido.

Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, que recupera declarações do responsável ao ‘BMW Blog’ durante um evento da marca na China, o problema vai muito além da preferência crescente pelas transmissões automáticas.

Metade dos compradores de um BMW M2 ainda quer caixa manual

Há um número que ajuda a perceber a dimensão do paradoxo.

Nos EUA, aproximadamente 50% dos compradores do BMW M2 escolhem a versão com caixa manual, apesar de se tratar de um mercado tradicionalmente dominado pelas transmissões automáticas.

Ou seja, a procura continua a existir, sobretudo entre os entusiastas.

Mas isso não significa que seja suficiente para garantir o futuro desta tecnologia.

As transmissões automáticas modernas tornaram-se mais rápidas, confortáveis e eficientes. Em muitos casos, conseguem melhorar os consumos e as prestações relativamente às alternativas manuais.

Ao mesmo tempo, os motores desportivos passaram a desenvolver valores de binário cada vez mais elevados, exigindo caixas capazes de suportar esforços mecânicos consideráveis.

E é aqui que surge uma dificuldade inesperada.

O verdadeiro problema pode estar nas fábricas

Segundo Frank van Meel, encontrar fornecedores dispostos a desenvolver e produzir caixas manuais adequadas aos motores mais potentes tornou-se cada vez mais difícil.

Com a redução da procura global, os fabricantes de transmissões têm menos incentivos económicos para investir em soluções que exigem desenvolvimento específico e são produzidas em quantidades relativamente pequenas.

Forma-se, assim, um círculo vicioso: vendem-se menos caixas manuais, os fornecedores reduzem a produção e torna-se cada vez mais caro mantê-las disponíveis.

Há ainda outro obstáculo.

A BMW está a integrar progressivamente sistemas híbridos ligeiros de 48 volts nos seus automóveis, uma evolução que acrescenta complexidade à utilização de transmissões manuais nos modelos de elevadas prestações.

Isto não significa que uma caixa manual seja tecnicamente incompatível com um sistema híbrido ligeiro. Várias marcas já comercializaram automóveis que combinam as duas tecnologias.

A dificuldade está em desenvolver e integrar essa solução nas exigências específicas dos motores BMW M, mantendo as prestações, a fiabilidade e os custos dentro dos objetivos da marca.

Ainda há esperança para os puristas?

Por enquanto, o BMW M2 continua a ser um dos principais resistentes desta tradição.

Mas o futuro das caixas manuais nos modelos M permanece incerto, especialmente à medida que a eletrificação ganha espaço na gama.

A BMW não anunciou uma data definitiva para o desaparecimento destas transmissões, pelo que seria prematuro declarar o seu fim.

Ainda assim, as explicações de Frank van Meel deixam uma conclusão pouco animadora para os entusiastas.

Mesmo quando há condutores dispostos a comprar um desportivo com três pedais, pode chegar um momento em que já não existam fornecedores suficientes para o fabricar a um custo viável.

E, nesse cenário, a caixa manual poderá desaparecer não porque deixou de ser desejada, mas porque se tornou demasiado difícil e dispendiosa de produzir.

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