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A Mercedes-Benz acaba de eliminar uma ligação que existe nos automóveis há décadas. E já pode encomendar a novidade em Portugal

A Mercedes-Benz acaba de eliminar uma ligação que existe nos automóveis há décadas. E já pode encomendar a novidade em Portugal
Francisco Laranjeira

A novidade promete facilitar o estacionamento, reduzir o esforço necessário para manobrar e proporcionar uma condução mais confortável. Mas também representa uma mudança profunda num dos sistemas mais importantes de qualquer automóvel

O volante continua no mesmo lugar, mas a forma como comunica com as rodas mudou radicalmente. A Mercedes-Benz acaba de disponibilizar no novo EQS Limousine uma tecnologia de direção que dispensa a ligação mecânica tradicional entre o volante e as rodas dianteiras, substituindo-a por comandos transmitidos eletronicamente.

Chama-se steer-by-wire e já pode ser encomendada em Portugal por 3.100 euros, com IVA incluído. A marca torna-se, assim, no primeiro fabricante alemão a disponibilizar esta solução num automóvel de passageiros produzido em série.

A novidade promete facilitar o estacionamento, reduzir o esforço necessário para manobrar e proporcionar uma condução mais confortável. Mas também representa uma mudança profunda num dos sistemas mais importantes de qualquer automóvel.

Como funciona uma direção sem ligação mecânica?

Num automóvel convencional, os movimentos do volante são transmitidos às rodas dianteiras através de componentes mecânicos. No Mercedes-Benz EQS equipado com steer-by-wire, essa ligação deixa de existir.

Em vez disso, sensores interpretam os movimentos do condutor e enviam comandos eletrónicos aos sistemas responsáveis pela orientação das rodas.

Esta arquitetura permite adaptar a resposta da direção às diferentes situações de condução. A baixas velocidades, por exemplo, deixa de ser necessário rodar repetidamente o volante para realizar uma manobra apertada.

Segundo a Mercedes-Benz, o sistema necessita de apenas 170 graus de rotação entre os extremos de direção, reduzindo significativamente os movimentos exigidos ao condutor.

A tecnologia funciona em conjunto com a direção do eixo traseiro, que permite às rodas posteriores virar até 10 graus.

Um volante diferente e menos vibrações

A introdução do novo sistema também altera o interior do EQS.

Em vez do volante circular tradicional, a Mercedes-Benz disponibiliza um volante mais compacto, com desenho do tipo yoke, inspirado nas soluções utilizadas na competição automóvel.

O formato melhora a visibilidade do painel de instrumentos e facilita a entrada e saída do veículo. O equipamento inclui ainda uma estrutura de airbag adaptada ao novo desenho.

Outra vantagem anunciada pela marca é a possibilidade de reduzir as vibrações transmitidas ao volante pelas irregularidades da estrada.

A Mercedes-Benz sustenta que o conjunto permite combinar maior agilidade com estabilidade direcional, sem exigir os movimentos de mãos habituais numa direção convencional.

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E se o sistema eletrónico falhar?

A ausência de ligação mecânica levanta uma questão inevitável: o que acontece se houver uma avaria?

A Mercedes-Benz afirma ter desenvolvido uma arquitetura de segurança redundante, com sensores, unidades de controlo e vias de comunicação independentes.

O objetivo é assegurar que a direção continua operacional mesmo perante falhas de componentes individuais.

Segundo a fabricante, num cenário extremo de falha total do sistema, o controlo lateral do automóvel poderá continuar a ser apoiado pela direção do eixo traseiro e por intervenções específicas de travagem através do controlo eletrónico de estabilidade, conhecido como ESP.

Trata-se de uma solução de contingência descrita pela marca, e não de uma garantia de que o automóvel manteria o comportamento normal da direção nessa situação.

Quanto custa em Portugal?

A tecnologia steer-by-wire está disponível como equipamento opcional no novo Mercedes-Benz EQS Limousine.

Em Portugal, o preço começa nos 3.100 euros, com IVA incluído, excluindo eventuais custos de entrega ou recolha na fábrica.

O conjunto inclui o novo volante do tipo yoke e a direção do eixo traseiro com um ângulo de viragem até 10 graus.

A estreia acontece numa fase de renovação profunda do EQS, que passou a contar com uma arquitetura elétrica de 800 volts, novas unidades motrizes, baterias de maior capacidade e uma caixa de velocidades de duas relações no eixo traseiro.

O modelo integra também o sistema operativo MB.OS, com funcionalidades de inteligência artificial e capacidade de receber atualizações remotas.

Com a introdução da direção steer-by-wire, a Mercedes-Benz dá mais um passo na transformação do automóvel num veículo cada vez mais controlado por sistemas eletrónicos e software.

Da direção eletrónica às baterias do futuro: a Mercedes-Benz está a mudar

A nova direção do EQS é apenas uma das tecnologias que a Mercedes-Benz está a desenvolver. A Automonitor já revelou que a marca está a testar uma bateria capaz de carregar dos 5% aos 80% em pouco mais de seis minutos, embora os resultados anunciados ainda tenham de ser validados para utilização em automóveis de produção.

Em Portugal, a transformação também já se faz sentir. O novo Mercedes-Benz Classe C elétrico chegou ao mercado nacional com 489 cv e até 760 quilómetros de autonomia.

Mas a estratégia da fabricante não passa apenas por acrescentar tecnologia e lançar novos modelos. A Mercedes-Benz também está a preparar a saída de três automóveis da sua gama, numa reorganização que deverá aproximar as famílias elétricas dos modelos tradicionais da marca.