Há uma nova marca chinesa a preparar a entrada no mercado europeu de automóveis de luxo. Chama-se AITO, vendeu 426 mil veículos em 2025 e confirmou, no Salão Automóvel de Paris, que pretende começar a comercializar os seus SUV na Europa no outono de 2027.
A marca pertence ao universo da Seres e construiu grande parte do seu sucesso na China com tecnologia da Huawei. Mas há um pormenor curioso: a gigante tecnológica praticamente desapareceu da apresentação europeia da AITO.
Segundo o ‘Electrek’, a marca apresentou em Paris quatro modelos, AITO 9, 8, 7 e 6, todos SUV, com versões totalmente elétricas e outras equipadas com extensores de autonomia, nas quais um motor a gasolina funciona como gerador de eletricidade.
Um SUV de 666 cv para enfrentar os gigantes alemães
O modelo mais imponente é o AITO 9, conhecido na China como M9. Com 5,28 metros de comprimento, posiciona-se no território de modelos como o BMW X7 e o Mercedes-Benz GLS.
A versão anunciada pode atingir 666 cv e acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 4,6 segundos. Conta ainda com direção nas rodas traseiras, suspensão ativa e bateria da CATL.
Na outra extremidade da gama está o AITO 6, um SUV de 4,96 metros que promete acelerar dos 0 aos 100 km/h em 5,2 segundos.
Mas os modelos apresentados em Paris têm especificações chinesas. As versões destinadas à Europa ainda não foram detalhadas.
A ligação à Huawei que ficou fora dos holofotes
Na China, a AITO cresceu graças a uma colaboração estreita com a Huawei, responsável por tecnologias de assistência à condução, sistemas digitais e parte da experiência de compra.
Essa relação mudou recentemente. Em setembro, a Seres assumiu maior controlo sobre o desenvolvimento, o design e a comercialização da marca, enquanto a Huawei passou a desempenhar um papel de apoio tecnológico.
Na apresentação de Paris, a AITO destacou sobretudo a plataforma da Seres e os seus fornecedores internacionais, incluindo Bosch, CATL, Valeo e Pirelli.
A estratégia poderá ajudar a marca a construir uma identidade própria num mercado onde a Huawei continua a enfrentar restrições em determinadas áreas tecnológicas.
Chegar à Europa será a parte mais difícil
Apesar dos números impressionantes na China, a entrada no mercado europeu está longe de garantida.
A AITO ainda procura obter a homologação necessária para vender os seus automóveis na União Europeia e pretende alcançar cinco estrelas nos testes Euro NCAP. Terá também de adaptar os veículos às estradas europeias e criar uma rede de assistência e distribuição.
Além disso, os automóveis elétricos fabricados na China enfrentam direitos aduaneiros adicionais na Europa, enquanto as novas limitações às importações de híbridos poderão complicar a estratégia das versões com extensor de autonomia.
E há uma questão fundamental por responder: quanto vão custar estes SUV?
A AITO ainda não revelou preços, países de lançamento ou parceiros comerciais. Para já, a chegada no outono de 2027 é um objetivo anunciado, não uma data de início de entregas confirmada.
A ambição, essa, é evidente: conquistar um lugar entre as marcas de luxo europeias. Resta saber se os compradores estarão dispostos a trocar um BMW ou um Mercedes por um nome que muitos ainda desconhecem.






