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Três dias de MotoGP, milhões de euros para a economia: os números que revelam o impacto da prova em Portugal

Automonitor

Resultados revelam que quatro em cada dez espectadores eram estrangeiros, reforçando o peso do MotoGP na atividade turística da região

O Grande Prémio de Portugal de MotoGP de 2025 gerou um impacto económico de 102 milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto (VAB), dos quais 56 milhões ficaram associados à economia algarvia. A prova, disputada no Autódromo Internacional do Algarve, recebeu espectadores de 70 países e registou cerca de 166 mil entradas, segundo um estudo da EY-Parthenon realizado para a Parkalgar.

Os resultados revelam que quatro em cada dez espectadores eram estrangeiros, reforçando o peso do MotoGP na atividade turística da região. Além do impacto económico, o evento esteve associado a 2.024 empregos equivalentes a tempo inteiro, 43 milhões de euros em remunerações e 35 milhões de euros em receita fiscal.

A análise demonstra também que os benefícios da competição ultrapassaram os três dias de corridas, com visitantes que permaneceram no Algarve durante quase uma semana e despesas individuais que, em alguns mercados, superaram os 3.700 euros.

Franceses e espanhóis lideraram entre os visitantes estrangeiros

De acordo com o estudo, os portugueses representaram 60% do público presente no circuito de Portimão. Entre os estrangeiros, França destacou-se com 12% do total de espectadores, seguindo-se Espanha, com 8%.

A prova atraiu igualmente adeptos de mercados mais distantes. Entre os visitantes provenientes de fora da Europa, os maiores contingentes chegaram dos EUA (26%), Canadá (21%) e Brasil (16%).

O estudo identificou ainda diferenças entre os perfis dos espectadores nacionais e internacionais.

Entre os portugueses, o perfil mais frequente correspondeu a um homem entre os 46 e os 55 anos, residente na região de Lisboa, que assistiu ao evento pela primeira vez e manifestou intenção de regressar.

Já entre os estrangeiros destacou-se o perfil de um homem francês entre os 56 e os 65 anos, que viajou acompanhado para o Algarve especificamente para assistir ao MotoGP e adquiriu bilhete para os três dias.

Dinamarqueses gastaram mais de 3.700 euros por pessoa

Um dos indicadores mais expressivos do estudo está relacionado com a despesa turística dos visitantes internacionais.

Os dinamarqueses lideraram os gastos médios realizados em território português, com 3.732 euros por pessoa. Seguiram-se os suecos, com 2.636 euros, e os colombianos, com 2.583 euros.

A distância percorrida pelos visitantes revelou-se um fator importante: segundo a EY-Parthenon, os adeptos provenientes de mercados mais longínquos tenderam a permanecer mais tempo em Portugal e a gastar mais, particularmente em alojamento e restauração.

Considerando o conjunto dos espectadores, o alojamento representou uma despesa média de 438 euros por visitante, enquanto a alimentação fora do recinto atingiu 326 euros.

As estadias também foram significativas. Os finlandeses apresentaram a permanência média mais longa, com 7,4 noites, seguindo-se os dinamarqueses, com sete noites, os luxemburgueses, com 6,7, e os alemães, com seis.

Estes números mostram como um evento desportivo de três dias pode gerar atividade turística durante períodos bastante superiores à duração da competição.

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Portimão e Lagoa sentiram o efeito nas dormidas

O impacto turístico fez-se sentir particularmente nos municípios próximos do Autódromo Internacional do Algarve.

Segundo a análise da EY-Parthenon, no mês em que decorreu o Grande Prémio, o crescimento das dormidas e do número de hóspedes nestes concelhos foi significativamente superior ao registado no restante ano, com destaque para Portimão e Lagoa.

Para Jaime Costa, CEO do Autódromo Internacional do Algarve, os resultados confirmam a importância da competição para a região, sobretudo por decorrer fora da época alta do turismo.

“A realização da prova em época baixa permite gerar procura turística num período em que isso é especialmente importante para a região, ao mesmo tempo que reforça a projeção internacional do destino”, afirma.

O responsável destaca ainda a capacidade do evento para atrair visitantes de dezenas de países e gerar atividade económica para empresas ligadas ao turismo e aos serviços.

Despesas dos espectadores geraram 94 milhões de euros

O estudo atribui à despesa realizada pelo público a maior parte do impacto económico do Grande Prémio.

Só os gastos dos espectadores terão gerado 94 milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto, o equivalente a 1.879 empregos a tempo inteiro e mais de 32 milhões de euros em receita fiscal.

Considerando o impacto total da prova, os valores ascendem a 102 milhões de euros em VAB, 2.024 empregos equivalentes a tempo inteiro, 43 milhões de euros em remunerações e 35 milhões de euros em receita fiscal.

O Valor Acrescentado Bruto mede a riqueza gerada pela atividade económica e constitui uma das principais componentes do Produto Interno Bruto. Por isso, os 102 milhões de euros representam o contributo económico estimado do evento, e não receitas diretas da organização ou dinheiro gasto exclusivamente dentro do circuito.

Os resultados reforçam, segundo o estudo realizado para a Parkalgar, o papel do MotoGP enquanto fator de atração turística e de dinamização económica do Algarve, com efeitos que se estendem muito para além das bancadas do circuito de Portimão.