Uma garagem com 90 automóveis, incluindo Ferrari, Lamborghini, Porsche e Maserati, seria o sonho de qualquer colecionador. Clayton Lloyd conseguiu concretizá-lo, reunindo uma impressionante coleção de carros clássicos, superdesportivos e modelos de luxo. O problema é que parte do dinheiro utilizado para financiar esta paixão tinha uma origem criminosa.
Aos 41 anos, o empresário do Texas, nos EUA, viu o seu império desmoronar-se depois de uma investigação ter revelado um esquema de fraude que envolvia falsos investimentos, roubo de identidade e milhões de euros desviados às vítimas.
Segundo o jornal espanhol ‘El Economista’, Lloyd foi condenado, a 1 de outubro, a 160 meses de prisão, o equivalente a 13 anos e quatro meses. E a sua extraordinária coleção automóvel acabou por ter um destino muito diferente daquele que imaginava.
Uma garagem que parecia saída de um museu automóvel
A coleção de Clayton Lloyd não se limitava a uma marca ou a um tipo de automóvel.
Entre os 90 veículos acumulados encontravam-se superdesportivos, SUV de luxo, automóveis clássicos e até modelos de competição elétricos.
Ferrari, Lamborghini, Maserati, Porsche e Pontiac eram algumas das marcas representadas numa garagem que reunia máquinas de diferentes épocas e estilos.
À primeira vista, tratava-se de um colecionador com recursos financeiros suficientes para alimentar uma paixão extraordinariamente dispendiosa.
Mas a investigação acabaria por revelar que uma parte significativa dessa fortuna tinha sido obtida através de atividades fraudulentas.
O negócio milionário que afinal não existia
Clayton Lloyd apresentava-se como empresário ligado ao setor dos seguros, mas utilizava também um esquema de investimentos para atrair dinheiro de terceiros.
O método passava por convencer potenciais investidores de que poderiam participar num programa de empréstimos supostamente disponibilizado pelo Departamento de Defesa dos EUA a empresas militares privadas.
A proposta parecia oferecer uma oportunidade de investimento ligada a contratos governamentais.
Havia, contudo, um problema fundamental: o programa simplesmente não existia.
Segundo as informações divulgadas pelo ‘El Economista’, o esquema permitiu a Lloyd apropriar-se de cerca de dois milhões de euros.
O dinheiro ajudou a financiar o estilo de vida do empresário, incluindo a aquisição de automóveis que passaram a integrar a sua coleção.
E a fraude não se ficou pelos falsos investimentos.
Também roubava identidades para obter cartões de crédito
A investigação revelou que Lloyd utilizava informações pessoais de clientes para solicitar cartões de crédito de forma fraudulenta.
Os dados recolhidos permitiam-lhe obter financiamento através da identidade de outras pessoas, acrescentando uma nova dimensão ao esquema criminoso.
O caso acabou por envolver o FBI e o Departamento de Segurança Pública do Texas, cujas investigações permitiram identificar as operações fraudulentas.
As autoridades reuniram provas que conduziram à condenação do empresário por fraude e roubo de identidade qualificado.
A sentença, conhecida a 1 de outubro, fixou a pena em 160 meses de prisão.
E o que aconteceu aos 90 automóveis?
O desfecho da história não ficou limitado à condenação judicial.
As autoridades confiscaram os bens associados ao esquema, incluindo os automóveis que faziam parte da coleção de Clayton Lloyd.
Os veículos foram colocados à venda, permitindo transformar parte do património acumulado em dinheiro destinado a compensar as pessoas prejudicadas.
Segundo a informação citada pelo ‘El Economista’, as receitas obtidas com a venda dos automóveis serão utilizadas para indemnizar as vítimas das fraudes.
Assim, os Ferrari, Lamborghini, Porsche e restantes modelos que durante anos fizeram parte da garagem de Lloyd acabaram por se transformar num instrumento de recuperação dos prejuízos provocados pelo esquema.
O homem que conseguiu reunir 90 automóveis de sonho terá agora de cumprir mais de 13 anos de prisão, enquanto a coleção que construiu à custa de dinheiro obtido ilegalmente foi desmantelada para ajudar a reparar os danos causados às vítimas.
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