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Uber e Bolt têm nova concorrência em Portugal: aplicação portuguesa promete comissões mais baixas e viagens à medida dos passageiros

Automonitor

A nova plataforma de TVDE, desenvolvida e operada pela POPAPP Tecnologia e Mobilidade, arranca na região de Lisboa e Vale do Tejo, com planos para expandir gradualmente a operação a outras zonas do país

Há uma nova concorrente da Uber e da Bolt em Portugal. Chama-se POP, foi desenvolvida inteiramente em território nacional e chega ao mercado com uma proposta que pretende mudar algumas das regras do transporte de passageiros: comissões de 15% para os motoristas, sem cobranças sobre gorjetas ou portagens, e serviços específicos para mulheres, seniores, pessoas com mobilidade reduzida e passageiros que viajam com animais de estimação.

A nova plataforma de TVDE, desenvolvida e operada pela POPAPP Tecnologia e Mobilidade, arranca na região de Lisboa e Vale do Tejo, com planos para expandir gradualmente a operação a outras zonas do país.

Disponível gratuitamente para dispositivos iOS e Android, a aplicação apresenta-se como uma alternativa portuguesa num setor dominado por grandes operadores internacionais. E a sua estratégia começa por uma promessa dirigida a quem está ao volante: permitir que os motoristas fiquem com uma parcela maior do valor de cada viagem.

Motoristas podem ganhar mais 283 euros por mês, segundo a empresa

Uma das principais diferenças anunciadas pela POP está na estrutura das comissões.

A plataforma cobra uma comissão fixa de 15% sobre o valor da viagem, excluindo IVA, gorjetas e portagens. Ao contrário de modelos em que determinados custos podem entrar na base de cálculo, a empresa garante que estes valores não são utilizados para calcular a sua comissão.

Num exemplo apresentado pela própria POP, um motorista com uma faturação mensal de 3.000 euros poderá beneficiar de uma diferença de aproximadamente 283 euros por mês relativamente a uma comissão de 25%.

Ao fim de um ano, essa diferença poderá atingir 3.396 euros, embora o resultado dependa da faturação efetiva e das condições aplicadas em cada plataforma.

A empresa disponibiliza um simulador para que os motoristas possam calcular os valores em função da sua atividade.

A POP salienta ainda que existem custos de terceiros associados às operações, nomeadamente 1,9% mais 0,20 euros por transação pelo processamento dos pagamentos e 0,10 euros pela emissão de cada documento, valores que afirma repercutir sem margem adicional.

A aposta surge num contexto em que os custos com combustíveis, manutenção e utilização das viaturas continuam a representar uma parte importante das despesas dos profissionais de TVDE.

Uma passageira pode escolher viajar com uma motorista

Mas a POP não pretende distinguir-se apenas pelas condições oferecidas aos motoristas.

A nova aplicação apresenta várias categorias de serviço destinadas a responder a necessidades específicas dos passageiros.

Uma das mais particulares chama-se Lady POP e permite que uma mulher solicite uma viagem conduzida por outra mulher.

Existe também o Sénior POP, concebido para passageiros mais velhos que valorizam maior acompanhamento e conforto durante a deslocação.

Para pessoas com necessidades específicas de acessibilidade, a plataforma apresenta uma opção dedicada à mobilidade reduzida.

Já o PET POP permite viajar com animais de estimação, enquanto a funcionalidade Agenda um POP possibilita reservar antecipadamente uma deslocação, seja para apanhar um voo, comparecer a uma consulta médica ou cumprir outro compromisso.

“A pergunta que fizemos foi simples: quem fica hoje de fora ou se sente desconfortável quando pede uma viagem?”, explica Pedro André Alves, diretor de Operações da POP.

Segundo o responsável, o objetivo é responder a situações que fazem parte da vida quotidiana, mas que nem sempre encontram soluções adaptadas nas plataformas de transporte.

Segurança com PIN e acompanhamento da viagem em tempo real

A nova aplicação inclui várias funcionalidades destinadas a reforçar a segurança dos passageiros.

Antes do início da viagem, está prevista a confirmação do nome e fotografia do motorista, dos dados da viatura e de um PIN de segurança.

Durante o percurso, o passageiro poderá acompanhar a rota em tempo real e partilhar a localização da viagem com familiares ou amigos.

Outro dos argumentos da empresa é a existência de apoio ao cliente assegurado por uma equipa localizada em Portugal, com atendimento em português.

A POP pretende também promover uma experiência de transporte mais personalizada, respeitando, por exemplo, passageiros que preferem viajar em silêncio ou que necessitam de mais tempo para entrar e sair do automóvel.

Comissão fixa e valor conhecido antes de aceitar a viagem

Do lado dos motoristas, a empresa apresenta três princípios fundamentais: previsibilidade, transparência e apoio.

Antes de aceitar uma viagem, o profissional poderá consultar o valor que irá receber, bem como a remuneração correspondente por quilómetro e por minuto.

No final, terá acesso à discriminação dos valores e custos associados à operação.

“Não pode existir um serviço de excelência quando quem o presta sente que não é devidamente valorizado”, afirma Pedro André Alves.

O responsável acrescenta que a empresa pretende garantir regras claras e apoio humano aos profissionais.

“A gorjeta pertence ao motorista. A portagem é um custo da viagem. Não vemos nenhuma das duas como receita da plataforma”, sublinha.

Uma alternativa portuguesa à Uber e à Bolt

A origem nacional é outro dos elementos que a POP pretende utilizar para conquistar espaço no mercado.

A plataforma foi desenvolvida em Portugal e encontra-se licenciada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) como operador de plataforma eletrónica, ao abrigo da Lei n.º 45/2018, através da licença n.º 257/2025.

“Portugal exporta talento tecnológico há anos e importa muitas das aplicações que utiliza para se deslocar”, afirma Pedro André Alves.

O diretor de Operações considera que existe espaço para uma alternativa nacional capaz de equilibrar remuneração dos motoristas, preços para os passageiros e qualidade do serviço.

A operação começa por Lisboa e Vale do Tejo, estando prevista uma expansão gradual para outras regiões.

A aplicação é gratuita e não exige custos de adesão. Os motoristas e operadores de frotas podem efetuar o registo através da plataforma.

Para já, a POP apresenta-se como mais uma opção num mercado competitivo, procurando conquistar tanto os profissionais que realizam as viagens como os passageiros que procuram serviços adaptados às suas necessidades.

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