Durante quase seis anos, ninguém soube o que tinha acontecido a um Chevrolet Corvette Grand Sport roubado em dezembro de 2020, nos EUA. O desportivo desapareceu sem deixar rasto e o seu paradeiro tornou-se um mistério.
Até que um mergulhador encontrou um automóvel no fundo de um rio, no estado da Geórgia.
O que aconteceu a seguir parece saído de uma investigação policial: uma fotografia publicada nas redes sociais, um pequeno detalhe que resistiu a anos debaixo de água e internautas determinados a descobrir a verdade.
Um Corvette que desapareceu em 2020
O automóvel era um Chevrolet Corvette C7 Grand Sport, uma das versões mais desportivas da sétima geração do modelo.
Equipado com um motor V8 de 6,2 litros e cerca de 460 cv, destacava-se também pela sua decoração em preto e azul, que lhe conferia uma aparência bastante particular.
Em dezembro de 2020, o proprietário recorreu às redes sociais para denunciar o roubo. O tempo passou, mas o Corvette continuou desaparecido.
Até outubro de 2026.
Jeremy Sides, presidente da Rapid Compassion Collective, uma organização sem fins lucrativos dedicada a buscas subaquáticas de pessoas desaparecidas e veículos, encontrou um Corvette submerso num rio da Geórgia.
O carro estava coberto de lama. Ainda assim, a sua silhueta era inconfundível.
A pista que sobreviveu a anos debaixo de água
Sides partilhou imagens da descoberta na sua conta de Instagram, conhecida como Exploring with Nug.
As fotografias despertaram imediatamente a curiosidade de quem acompanhava a publicação. Mas alguns observadores repararam num pormenor que podia passar despercebido.
No para-brisas, apesar da longa permanência debaixo de água, continuava visível a identificação de uma conta de Instagram.
Foi o suficiente para começar uma pequena investigação coletiva.
Os internautas seguiram essa pista até encontrarem uma publicação de 11 de dezembro de 2020, na qual o proprietário denunciava o roubo do seu Corvette.
A decoração em preto e azul ajudou a estabelecer a correspondência entre o automóvel desaparecido e aquele que tinha acabado de ser encontrado no rio.
Quase seis anos depois, havia finalmente uma resposta para uma das perguntas: onde tinha ido parar o Corvette?
O estado do carro surpreendeu
As imagens da descoberta revelam outro pormenor inesperado.
Apesar dos anos submerso, o exterior do Corvette parecia relativamente bem conservado. A carroçaria mantinha a sua forma e até parte da decoração personalizada continuava reconhecível.
Mas as aparências podem enganar.
O Corvette C7 utiliza materiais compósitos na carroçaria, o que ajuda a explicar por que motivo o exterior não apresenta necessariamente a degradação que seria de esperar num automóvel convencional de aço.
Já o motor, a transmissão, os sistemas eletrónicos e o habitáculo são outra história.
Depois de tantos anos de contacto com a água e os sedimentos, os danos poderão ser profundos. A possibilidade de o desportivo voltar a circular dependeria de uma avaliação técnica e de uma recuperação potencialmente muito dispendiosa.
Encontraram o Corvette. Mas o mistério continua
A descoberta permitiu identificar o automóvel e esclarecer o seu paradeiro. Contudo, permanecem duas perguntas essenciais.
Quem roubou o Corvette em dezembro de 2020? E como acabou o desportivo no fundo de um rio? Até agora, não foram divulgadas respostas conclusivas.
Há ainda uma ironia difícil de ignorar: um automóvel concebido para proporcionar velocidade e emoção acabou imóvel durante anos, escondido debaixo de água.
E foi uma simples identificação de Instagram, colocada no para-brisas antes do desaparecimento, que acabou por revelar a sua história. O Corvette foi encontrado. O que lhe aconteceu continua por explicar.






