A Polestar está a vender mais automóveis do que nunca nos primeiros nove meses de um ano. A fabricante sueca de veículos elétricos anunciou esta quinta-feira os melhores resultados da sua história para o período entre janeiro e setembro, mas os números revelam uma realidade curiosa: enquanto as vendas globais crescem de forma modesta, Portugal apresenta uma evolução bastante mais expressiva.
Entre janeiro e setembro de 2026, a Polestar comercializou aproximadamente 44.790 automóveis em todo o mundo, mais 0,6% do que no mesmo período de 2025. Já o terceiro trimestre terminou com 14.371 unidades vendidas, um crescimento de 1% e o melhor resultado de sempre da marca para este período.
Em Portugal, contudo, o ritmo foi diferente: as matrículas aumentaram 19% desde o início do ano.
Portugal cresce quase 20 vezes mais do que a média global
O mercado português destaca-se nos resultados apresentados pela Polestar.
Nos primeiros nove meses de 2026, a marca registou 498 matrículas em Portugal, um crescimento de 19% face ao mesmo período do ano passado.
Só entre julho e setembro foram matriculados 165 automóveis, mais 15% do que no terceiro trimestre de 2025.
O desempenho assume particular importância porque, durante a maior parte do período analisado, a Polestar manteve praticamente a mesma oferta de modelos disponível no ano anterior.
Para Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, os resultados confirmam a estratégia seguida no mercado nacional.
“Os resultados dos primeiros nove meses do ano confirmam a solidez da nossa estratégia em Portugal”, afirmou o responsável, destacando que a chegada de novos modelos permitirá à marca alcançar outros perfis de clientes.
Há crescimento global, mas nem todos os mercados acompanham
Apesar dos recordes anunciados, os dados internacionais mostram diferenças importantes.
Excluindo os EUA, a Polestar vendeu 40.773 automóveis entre janeiro e setembro, menos 0,5% do que no período homólogo.
A diferença é ainda mais evidente no terceiro trimestre: sem contabilizar o mercado dos EUA, as vendas recuaram 8%, para 12.211 unidades.
A fabricante apresenta estes resultados separadamente na sequência da decisão das autoridades dos EUA relacionada com a chamada Connected Vehicle Rule, regulamentação que estabelece restrições a determinadas tecnologias e componentes de veículos conectados.
Assim, embora os números globais sejam positivos, a evolução das vendas fora dos EUA revela que o crescimento não é uniforme.
A Polestar salienta ainda que os resultados de 2026 são estimativas e poderão ser revistos posteriormente.
Dois novos modelos para tentar acelerar as vendas
A próxima etapa da estratégia comercial da Polestar passa pelo alargamento da gama.
O Polestar 5, um GT elétrico de elevado desempenho, começou a chegar aos clientes, enquanto o novo Polestar 4 SUV reforça a presença da fabricante num dos segmentos mais importantes do mercado europeu.
Michael Lohscheller, CEO da Polestar, sublinha que o recorde do terceiro trimestre foi alcançado apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor automóvel.
“Registámos o nosso melhor terceiro trimestre de sempre, apesar de um contexto de mercado cada vez mais desafiante”, afirmou.
O responsável considera que a chegada do Polestar 5 representa um marco para a empresa e que o novo Polestar 4 SUV permitirá conquistar novos clientes no segmento dos SUV elétricos premium.
Em Portugal, os dois modelos começaram a reforçar a oferta da marca a partir de setembro.
A expectativa da fabricante é que uma gama mais abrangente permita consolidar o crescimento registado no mercado nacional.
Por enquanto, os números mostram duas tendências distintas: uma Polestar que cresce lentamente à escala global e uma operação portuguesa que avança a um ritmo significativamente superior.
Os próximos meses permitirão perceber se a chegada dos novos modelos será suficiente para acelerar também as vendas internacionais.






