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Roswell é a terra dos extraterrestres, mas escondia outro mistério: um cemitério com mais de 500 clássicos

Automonitor

Entre carros parcialmente engolidos por árvores, modelos raríssimos e veículos que permaneciam no mesmo lugar há décadas, havia exemplares construídos desde os anos 1930 até aos anos 1990

Quando se fala de Roswell, no Novo México, é quase inevitável pensar em extraterrestres, OVNIs e nas teorias que nasceram depois do misterioso incidente de 1947. Mas durante décadas a cidade escondeu outro tipo de objetos não identificados: mais de 500 automóveis e pick-ups clássicos abandonados num gigantesco cemitério automóvel.

Chamava-se A-1 Auto Salvage e ocupava cerca de oito hectares. Entre carros parcialmente engolidos por árvores, modelos raríssimos e veículos que permaneciam no mesmo lugar há décadas, havia exemplares construídos desde os anos 1930 até aos anos 1990.

A ‘Autocar’ recuperou agora a história e as imagens deste extraordinário espaço, visitado pelo jornalista e fotógrafo Will Shiers antes do encerramento. E há um mistério que permanece: quando o terreno fechou, os automóveis foram vendidos num leilão sem preço de reserva. Os que ninguém quis comprar foram enviados para a prensa.

Hoje, não é possível saber quantos dos clássicos fotografados em Roswell sobreviveram.

Um cemitério automóvel anterior aos “OVNIs” de Roswell

O A-1 Auto Salvage foi fundado em 1941, seis anos antes do episódio que transformaria Roswell num dos lugares mais associados a extraterrestres em todo o mundo.

A história do alegado objeto voador que terá caído num rancho próximo em 1947 alimentou décadas de teorias da conspiração e colocou definitivamente a cidade no mapa turístico.

Mas o cemitério automóvel foi crescendo em paralelo.

Quando a ‘Autocar’ o visitou, existiam bem mais de 500 automóveis e veículos comerciais espalhados pelo terreno. Embora fosse possível encontrar modelos de várias décadas, a maioria pertencia aos anos 1950 e 1960.

E alguns eram verdadeiras raridades.

Mustang, Cadillac, Studebaker e carros quase desaparecidos

Entre os automóveis encontrados estava um Ford Mustang II de meados da década de 1970 que não circulava desde 1986, ano em que tinha chegado ao cemitério.

Havia também vários Cadillac, incluindo um Sedan de Ville de 1956 e um Coupe de Ville de 1961, além de exemplares da Studebaker, DeSoto, Chrysler, Chevrolet, Plymouth, Ford e Buick.

Um dos achados mais raros era um AMC Marlin de 1967. Nesse ano foram vendidos apenas 2.545 exemplares do peculiar fastback de duas portas.

Também apareceu um Checker Superba, modelo anterior ao famoso Marathon utilizado como táxi nos EUA. Apenas 1.050 unidades do Superba terão sido produzidas em 1959.

O terreno guardava ainda quatro Willys-Overland Jeepster, um automóvel fabricado entre 1948 e 1950 e do qual saíram apenas 19.132 unidades.

Roswell é a terra dos extraterrestres, mas escondia outro mistério: um cemitério com mais de 500 clássicos

Um Ford ligado à era atómica

Roswell ainda reservava uma coincidência particularmente apropriada para um lugar rodeado por histórias de segredos governamentais.

Entre os carros abandonados estava um Ford de 1947 que, segundo o guia que acompanhou a visita, teria pertencido à Atomic Energy Commission dos EUA.

Ainda era possível distinguir a identificação da agência nas portas.

Criada depois da II Guerra Mundial, a Atomic Energy Commission ficou responsável pelo desenvolvimento e controlo da tecnologia nuclear para fins civis nos EUA.

E 1947 foi precisamente o ano do incidente que alimentou a lenda extraterrestre de Roswell.

Árvores cresceram através dos carros

Décadas de abandono produziram imagens difíceis de encontrar noutro lugar.

Um Chevrolet Styleline Deluxe de 1952 tinha uma árvore a crescer através do compartimento do motor. Pelo tamanho do tronco, a ‘Autocar’ estima que o carro estivesse naquele lugar há pelo menos quatro décadas.

Noutro ponto do terreno, uma árvore atravessara o piso apodrecido de uma antiga pick-up Chevrolet, envolvera o volante e acabara por empurrar o para-brisas.

O clima seco do Novo México ajudou, porém, a preservar algumas carroçarias. Um Studebaker descapotável de 1948 tinha perdido grande parte do interior, mas conservava a estrutura relativamente livre de ferrugem.

Depois chegou a prensa

O destino do A-1 Auto Salvage acabou por ser decidido pelo próprio terreno.

O proprietário optou por encerrar o negócio para dar outro uso à propriedade. Em vez de mandar imediatamente destruir toda a coleção, organizou um leilão sem preço de reserva para tentar encontrar novos donos para os automóveis.

Alguns foram salvos.

Um Chrysler de 1947, por exemplo, já tinha sido comprado por um colecionador de outro estado e aguardava transporte quando o espaço foi visitado.

Outros tiveram menos sorte. Os carros que não receberam propostas seguiram para a prensa e foram transformados em sucata.

É por isso que, décadas depois de alguns destes automóveis terem sido abandonados e anos depois do desaparecimento do cemitério, permanece uma pergunta sem resposta.

Em Roswell, o mistério já não é apenas saber o que caiu do céu em 1947. É saber quantos daqueles mais de 500 clássicos conseguiram escapar à prensa.