A forma como cada automobilista conduz pode ter cada vez mais influência no preço que paga pelo seguro. É nessa transformação que aposta a Zego, seguradora digital britânica que utiliza dados sobre o comportamento real dos condutores e Inteligência Artificial para avaliar o risco e definir preços mais personalizados.
E uma parte importante da tecnologia que permite fazê-lo está a ser desenvolvida em Portugal.
A empresa anunciou uma extensão da sua recente ronda de financiamento de 28 milhões de dólares, cerca de 24 milhões de euros, liderada pela Sompo, que conta agora com a participação das portuguesas Índico Capital Partners e Explorer Investments.
O investimento deverá contribuir para reforçar o centro tecnológico que a Zego mantém no Porto, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de monitorização comportamental e das soluções de Inteligência Artificial utilizadas pela seguradora.
O seguro que olha para a forma como conduz
A Zego é uma seguradora com forte presença no Reino Unido entre motoristas independentes e estafetas e encontra-se agora a expandir o seu modelo para o mercado automóvel generalista.
No centro da operação está um sistema de análise que transforma dados sobre o comportamento efetivo do condutor em informação utilizada para avaliar o risco.
O objetivo é que o preço do seguro possa refletir de forma mais precisa a maneira como cada cliente conduz, permitindo, segundo a empresa, recompensar os automobilistas que apresentam comportamentos mais seguros.
A mesma tecnologia é utilizada na deteção de fraude e na gestão de sinistros.
A Zego tem igualmente integrado ferramentas próprias de Inteligência Artificial em diferentes áreas da operação, procurando automatizar processos e tornar a avaliação do risco mais rigorosa.
Parte do “cérebro” da Zego está no Porto
Portugal assume um papel relevante nesta estratégia.
O centro tecnológico da Zego no Porto é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de monitorização comportamental e das ferramentas de Inteligência Artificial que suportam áreas como a subscrição de riscos, a definição dos preços dos seguros e a gestão dos sinistros.
É precisamente esta presença em Portugal que ajudou a atrair a participação da Índico Capital Partners, cuja estratégia passa por investir em empresas internacionais com uma ligação relevante ao Sul da Europa.
“O setor tradicional dos seguros automóveis vai sofrer uma profunda transformação e a Zego prova que uma abordagem focada em IA e em monitorização comportamental representa o futuro da subscrição de riscos”, afirma Stephan de Moraes, Managing General Partner da Índico Capital Partners.
Segundo o responsável, o investimento pretende também reforçar o hub tecnológico do Porto e a equipa que desenvolve a tecnologia central da plataforma.
Conduzir melhor pode significar pagar menos
A proposta da Zego parte de uma ideia relativamente simples: dois automobilistas não representam necessariamente o mesmo risco apenas porque apresentam características semelhantes num modelo tradicional de avaliação.
Ao acrescentar informação sobre o comportamento real ao volante, a seguradora procura distinguir de forma mais precisa diferentes perfis de risco.
Isso poderá permitir que condutores considerados mais seguros tenham acesso a prémios mais ajustados ao seu comportamento.
“O que sobressaiu na Zego foi a criação de um modelo que torna o seguro automóvel mais vantajoso para os condutores, com preços que refletem a condução real e recompensam quem conduz com maior segurança através de prémios mais justos”, explica Pedro Correia de Barros, Investment Partner da Explorer Investments.
O responsável destaca também o facto de a tecnologia estar a ser desenvolvida em Portugal e indica que o investimento pretende acelerar o desenvolvimento do produto e dar à equipa capacidade para continuar a inovar.
IA prepara-se para mudar também os seguros automóveis
A entrada da Zego no mercado automóvel generalista poderá colocar este tipo de tecnologia perante uma base de clientes bastante mais ampla do que os motoristas profissionais e estafetas que estiveram na origem da expansão da empresa no Reino Unido.
A aposta passa por combinar monitorização comportamental, análise de dados e Inteligência Artificial numa única plataforma, utilizando essa informação não apenas para calcular preços, mas também para combater fraude e gerir sinistros.
Com o novo financiamento e o reforço previsto da operação portuguesa, o Porto assume assim um papel no desenvolvimento de uma tecnologia que pretende alterar uma das bases tradicionais dos seguros automóveis: em vez de calcular o risco apenas a partir do perfil do cliente, passar a considerar também aquilo que o condutor efetivamente faz quando está ao volante.






