Olhe bem para as fotografias. Não são uma montagem, nem uma cena de um filme de ficção científica.
Aquela roda gigantesca, com pessoas sentadas no interior, existiu realmente.
Chamava-se Dynasphere e, no início dos anos 1930, o engenheiro britânico John Archibald Purves acreditava que máquinas como aquela poderiam tornar-se uma alternativa ao automóvel.
A ideia era extraordinariamente simples: se um veículo precisa de rodas para avançar, porque não transformar praticamente todo o veículo numa única roda?
Purves não ficou pelos desenhos.
Construiu protótipos.
E pôs pessoas lá dentro.
O futuro tinha uma roda de três metros
A Dynasphere tinha cerca de três metros de altura. O condutor, o passageiro e o motor ficavam instalados numa estrutura interior, enquanto a enorme roda exterior girava em redor deles.
A história e as extraordinárias fotografias dos testes estão preservadas nos arquivos da Institution of Engineering and Technology (IET).
Foram construídas diferentes versões, incluindo uma equipada com um pequeno motor de dois cilindros da fabricante britânica de motos Douglas. Purves também experimentou propulsão elétrica.
E aquilo andava.
Existem imagens da Dynasphere em Brooklands e nas praias britânicas, transportando pessoas como se aquela enorme roda fosse realmente uma solução perfeitamente razoável para o futuro da mobilidade.
Alguns protótipos terão conseguido aproximar-se dos 50 km/h.
O problema começava quando era preciso virar
Andar em frente era a parte relativamente fácil.
Para mudar de direção, o condutor precisava de alterar o equilíbrio da máquina e inclinar a enorme roda.
Não era propriamente tão simples ou preciso como virar um volante.
Depois havia a travagem.
Numa aceleração ou travagem demasiado brusca podia acontecer algo particularmente desagradável: a estrutura interior começava a acompanhar a rotação da roda exterior.
Ou seja, em vez de permanecerem direitos enquanto a roda girava à sua volta, os ocupantes podiam começar a girar com ela.
O fenómeno ficaria conhecido entre os entusiastas dos veículos de uma roda como “gerbiling”. Sim, como um hamster numa roda.
O automóvel acabou por ganhar
A Dynasphere nunca chegou à produção.
Os problemas de direção, estabilidade e travagem ajudaram a condenar a ideia e o automóvel convencional continuou o seu caminho com uma solução bastante menos espetacular, mas consideravelmente mais prática: quatro rodas.
John Archibald Purves não conseguiu reinventar a mobilidade.
Mas deixou algo extraordinário. As fotografias.
Quase um século depois, continuam a mostrar pessoas reais sentadas dentro de uma roda motorizada com três metros de altura, numa altura em que alguém acreditava seriamente que aquilo poderia substituir o automóvel.









