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Os cintos de segurança não protegem homens e mulheres da mesma forma. Volvo quer mudar isso com uma nova tecnologia

Francisco Laranjeira

Novo cinto de segurança multiadaptativo fará a sua estreia no Volvo EX60 e será depois progressivamente alargado aos futuros modelos da marca baseados na plataforma SPA3

Um cinto de segurança não tem necessariamente de proteger da mesma maneira uma pessoa alta e pesada e outra mais baixa e leve. É a partir deste princípio que a Volvo desenvolveu uma nova geração de cintos capaz de adaptar a proteção às características de quem ocupa o automóvel e às circunstâncias do acidente.

O novo cinto de segurança multiadaptativo fará a sua estreia no Volvo EX60 e será depois progressivamente alargado aos futuros modelos da marca baseados na plataforma SPA3.

A tecnologia recorre aos sensores do automóvel para analisar fatores como a altura, o peso e a postura do ocupante, cruzando-os com a severidade de uma eventual colisão. A partir desses dados, o sistema ajusta a carga exercida pelo cinto em cada situação.

Na prática, em vez de trabalhar com um número reduzido de configurações, o novo sistema dispõe de mais perfis de limitação de carga, permitindo à Volvo adaptar de forma mais precisa a força aplicada ao corpo durante um acidente.

Porque é que o mesmo cinto não protege todos da mesma forma?

Segundo a Volvo, uma das razões para desenvolver esta tecnologia está nas diferenças físicas entre os próprios ocupantes.

As mulheres, por exemplo, continuam a apresentar maior risco de determinadas lesões do que os homens em acidentes de gravidade semelhante. Durante décadas, muitos sistemas de segurança automóvel foram desenvolvidos e testados tendo como uma das principais referências um ocupante masculino de estatura média.

A marca sueca diz estudar acidentes reais desde a década de 1970, reunindo informação sobre vítimas de diferentes géneros, idades, alturas e constituições físicas.

Parte desse trabalho deu origem, em 2019, à E.V.A. Initiative — Equal Vehicles for All — através da qual a Volvo disponibilizou dados resultantes de décadas de investigação para utilização por fabricantes, universidades e centros de investigação.

Cinto poderá continuar a evoluir depois de o carro sair da fábrica

O sistema que chega agora ao EX60 pretende transformar esse conhecimento numa proteção mais individualizada.

A tecnologia poderá ainda ser aperfeiçoada ao longo da vida do automóvel. Segundo a Volvo, à medida que forem recolhidos novos dados, o funcionamento do cinto poderá evoluir através de atualizações remotas de software, conhecidas como over-the-air.

“Na Volvo, acreditamos que a segurança deve adaptar-se às pessoas, e não o contrário”, afirma Luís Santos, CX, Comms & Marketing Director da Volvo Car Portugal.

Segundo o responsável, o objetivo passa por desenvolver sistemas “capazes de responder melhor às diferenças entre os ocupantes e oferecer uma proteção mais personalizada”.

O EX60 será o primeiro a receber a tecnologia, mas não ficará sozinho. A intenção da Volvo é integrar progressivamente o cinto multiadaptativo em todos os futuros modelos desenvolvidos sobre a plataforma SPA3.