O novo Mercedes-Benz GLA já começou a sair da linha de montagem. A produção em série arrancou em Rastatt, na Alemanha, com as versões totalmente elétricas a assumirem a dianteira e as variantes híbridas de 48 volts a completarem posteriormente a nova geração do SUV compacto.
É o passo que faltava depois da apresentação do modelo: transformar o novo GLA num automóvel de produção. E a Mercedes-Benz aproveitou o arranque para mostrar não apenas o carro, mas também uma fábrica onde Inteligência Artificial, gémeos digitais e instalação de software através da cloud já fazem parte do processo.
O novo GLA chega maior entre eixos, mais tecnológico e com uma gama preparada para diferentes níveis de eletrificação. Nas versões elétricas, a autonomia pode chegar aos 657 quilómetros em ciclo WLTP.
O novo GLA começa pelos elétricos
A grande novidade desta geração está precisamente debaixo da carroçaria.
A gama elétrica inclui diferentes níveis de potência e duas capacidades de bateria. O GLA 200 electric utiliza uma bateria LFP de 58 kWh de capacidade útil e desenvolve 165 kW, equivalentes a cerca de 224 cv.
Acima surge o GLA 250+ electric, com 200 kW, cerca de 272 cv, e uma bateria NMC de 85 kWh. É esta versão que consegue atingir os 657 quilómetros de autonomia máxima anunciada em ciclo WLTP.
Para quem procura mais desempenho, o GLA 350 4MATIC electric acrescenta tração integral e sobe para 260 kW, cerca de 354 cv. A Mercedes-Benz anuncia uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,4 segundos.
Há ainda arquitetura elétrica de 800 volts, que permite carregamentos rápidos em corrente contínua até 320 kW. Segundo os dados divulgados pela marca aquando da apresentação do modelo, nas condições adequadas podem ser recuperados até 270 quilómetros de autonomia em dez minutos.
Nem tudo será elétrico
A Mercedes-Benz não colocou, porém, todas as fichas numa única tecnologia.
Às versões elétricas vão juntar-se variantes equipadas com um novo motor turbo de quatro cilindros e 1,5 litros associado a um sistema de 48 volts.
O motor elétrico está integrado na transmissão de dupla embraiagem e oito velocidades e pode fornecer até 22 kW adicionais. O sistema permite ainda recuperar energia durante as desacelerações e, em determinadas situações, deslocar o GLA exclusivamente através do motor elétrico.
É precisamente esta diversidade que ajuda a explicar por que razão Rastatt é importante para a nova geração.
O mesmo lugar pode fazer elétricos e híbridos
A fábrica alemã, em funcionamento desde 1992 e com cerca de 7.000 trabalhadores, foi preparada para não ficar dependente de uma única motorização.
Diferentes sistemas de propulsão podem passar pelas mesmas estruturas industriais, permitindo à Mercedes-Benz ajustar mais rapidamente a produção à procura de cada mercado.
O GLA está atualmente a ser montado no chamado Pavilhão 4.0, mas a fabricante está a investir várias centenas de milhões de euros na transformação do vizinho Pavilhão 4.1, que também deverá receber a produção do modelo a partir de 2027.
E é aqui que a forma de construir o GLA se torna quase tão interessante como algumas das tecnologias que o carro leva para a estrada.
A fábrica é construída duas vezes — uma delas não existe
Antes de alterar fisicamente uma linha de produção, a Mercedes-Benz consegue construí-la virtualmente.
A marca utiliza réplicas digitais da fábrica para simular a disposição dos equipamentos, testar processos e identificar problemas antes de começar a instalação real. O objetivo é reduzir custos e, sobretudo, o tempo necessário para transformar uma unidade industrial para receber um novo automóvel.
A tecnologia já tinha sido utilizada na reconversão do Pavilhão 4.0 e está agora a ser aplicada à transformação do espaço que receberá o GLA a partir do próximo ano.
Não é a única componente digital do processo.
O Mercedes-Benz Operating System, ou MB.OS, também chega à própria linha de montagem. A sua arquitetura permite transmitir o software do automóvel através de um servidor central ligado à Mercedes-Benz Intelligent Cloud.
Assim, quando um GLA chega ao fim da linha, pode fazê-lo já com a versão mais recente do software instalada.
Por dentro também há uma nova geração
Toda esta transformação industrial serve um GLA que também mudou significativamente face ao antecessor.
A nova geração apresenta uma silhueta mais baixa, maior distância entre eixos e uma frente onde se destaca a grelha iluminada. No habitáculo, a Mercedes-Benz aposta no MBUX Superscreen, no tejadilho panorâmico e numa maior sensação de espaço e versatilidade.
A componente digital também ganha peso dentro do automóvel. Entre as novidades está o Assistente Virtual MBUX, que recorre a Inteligência Artificial generativa para permitir interações mais naturais e personalizadas com os ocupantes.
É, de certa forma, a continuação na estrada daquilo que acontece dentro da fábrica.
O novo GLA é produzido com recurso a Inteligência Artificial, simulações digitais e software distribuído através da cloud; depois de sair da linha, leva parte desse universo tecnológico consigo.
E, antes de tudo isso chegar às mãos dos clientes, há agora uma certeza: os primeiros exemplares da nova geração já começaram a sair de Rastatt.












