A BYD já tem oito enormes navios dedicados a levar automóveis para mercados internacionais. Mas, perante o crescimento das vendas fora da China, nem isso parece ser suficiente.
A fabricante chinesa prepara-se para acrescentar mais dez navios de transporte automóvel à frota que utiliza, elevando o total para 18 até 2029. Cada uma das novas embarcações terá capacidade para cerca de 9.200 unidades equivalentes a automóveis (CEU), segundo informações avançadas por publicações especializadas no setor marítimo e citadas pelo ‘L’Automobile Magazine’.
Quando todos estiverem operacionais, a capacidade combinada da frota associada à BYD deverá superar as 130 mil unidades em simultâneo.
É mais um sinal da dimensão que está a ganhar a ofensiva internacional da marca chinesa.
De oito para 18 navios em poucos anos
A velocidade da expansão ajuda a perceber a estratégia.
O BYD Explorer No.1, primeiro navio utilizado pela marca nesta operação logística, foi entregue em janeiro de 2024. Menos de três anos depois, a BYD já utiliza oito navios para transportar veículos para fora da China.
Agora poderão chegar mais dez.
Segundo informações do setor marítimo, as novas embarcações serão construídas pela China Merchants Industry nos estaleiros de Jinling e Haimen, com entregas previstas entre 2027 e 2029.
Cada uma terá capacidade para 9.200 CEU — “Car Equivalent Units”, a unidade utilizada pela indústria naval para expressar a capacidade de transporte tendo como referência um automóvel de dimensões padronizadas.
Os dez navios acrescentariam, portanto, cerca de 92 mil CEU à capacidade disponível.
Somados aos oito atualmente utilizados pela fabricante, permitiriam ultrapassar as 130 mil unidades de capacidade simultânea.
Como entram 9.200 carros num navio?
Não há milhares de contentores empilhados no convés.
Estas embarcações são PCTC — “Pure Car and Truck Carriers” — e funcionam segundo o princípio Ro-Ro, abreviatura de “roll-on/roll-off”.
Na prática, os automóveis entram no navio sobre as próprias rodas através de rampas e são estacionados nos vários pisos interiores. No destino, o processo acontece ao contrário.
É uma solução concebida especificamente para movimentar grandes quantidades de veículos e permite aproveitar muito melhor o espaço disponível do que um transporte convencional em contentores.
O problema da BYD agora é levar os carros até aos clientes
A necessidade de aumentar a capacidade marítima acompanha uma transformação importante no negócio da BYD.
O mercado internacional está a ganhar cada vez mais peso precisamente numa altura em que a procura interna chinesa enfrenta dificuldades.
Segundo dados da China Passenger Car Association, a BYD exportou 183.746 automóveis de novas energias produzidos na China em agosto, mais 130,8% do que no mesmo mês de 2025.
Entre janeiro e agosto, foram 1.126.797 veículos, praticamente 1,13 milhões.
E a diferença entre o que acontece dentro e fora da China está a tornar-se cada vez mais evidente.
Em agosto, as exportações chinesas de automóveis de passageiros cresceram 77,5% em termos homólogos, enquanto as vendas domésticas recuaram 23,7%.
A BYD está entre as fabricantes que mais têm beneficiado dessa corrida aos mercados externos.
Europa está no centro da estratégia
Os navios são apenas uma parte da operação.
A BYD está simultaneamente a construir fábricas mais próximas dos mercados onde pretende vender os automóveis, reduzindo a dependência das exportações diretas a partir da China.
Na Europa, um dos exemplos mais importantes é a fábrica de Szeged, na Hungria, destinada à produção de automóveis de passageiros para o mercado europeu.
A estratégia permite à fabricante aproximar a produção dos clientes e reduzir o impacto das tarifas europeias aplicadas aos automóveis elétricos importados da China.
Noutras regiões, a empresa está igualmente a reforçar a produção local, incluindo no Brasil e no Sudeste Asiático.
Isso significa que os navios não terão necessariamente de partir sempre de portos chineses. À medida que a rede industrial internacional cresce, a logística marítima poderá ligar diferentes centros de produção aos mercados de destino.
De um navio em 2024 para uma frota de 18
A dimensão da mudança percebe-se melhor olhando apenas para o calendário.
No início de 2024, a BYD começava a utilizar o Explorer No.1, capaz de transportar cerca de 7.000 automóveis.
Se os planos agora noticiados se concretizarem, cinco anos depois haverá 18 embarcações associadas à operação logística da fabricante, com uma capacidade combinada superior a 130 mil CEU.
É uma infraestrutura criada para acompanhar um negócio que também está a mudar rapidamente.
A BYD vendeu globalmente 440.293 veículos de novas energias em agosto, mais 17,8% do que um ano antes. As vendas internacionais atingiram 189.466 unidades, uma subida homóloga de 134,5%.
Pela primeira vez, no primeiro semestre deste ano, a empresa conseguiu mesmo gerar mais receitas nos mercados internacionais do que na China.
Por isso, talvez a questão já não seja apenas quantos carros consegue a BYD fabricar.
É como conseguir levá-los a todos os mercados onde os quer vender.






