A Nissan prepara um novo automóvel elétrico de entrada para a Europa e já há protótipos a circular em testes. Conhecido como Wave, o pequeno modelo deverá chegar ao mercado no primeiro semestre de 2027, com um preço abaixo dos 20 mil euros e uma missão particularmente difícil: ajudar a marca japonesa a responder à crescente pressão dos elétricos chineses mais baratos.
O futuro modelo foi agora fotografado durante testes em estrada no sul de Espanha, segundo informações avançadas pela ‘L’Automobile Magazine’ e pelo ‘Motor.es’ e também divulgadas pelo ‘Electrek’.
Ainda fortemente camuflado, o automóvel confirma uma estratégia que a Nissan já adotou com o novo Micra: recorrer à tecnologia da parceira Renault para reduzir custos e acelerar o lançamento de novos elétricos.
日産の新型コンパクトカーがスパイショットされました。
ルノー トゥインゴがベースと思われます。https://t.co/RaatZIjEVqは、車名は「ウェーブ」であると報道しています。 pic.twitter.com/Z14PZYqLH8— NEWCAR (@NEWCARinjapan) September 1, 2026
Desta vez, a base será o novo Renault Twingo E-Tech.
Abaixo do Micra e abaixo dos 20 mil euros
O Wave deverá assumir o lugar de elétrico mais acessível da gama europeia da Nissan, ficando posicionado abaixo do novo Micra.
O objetivo será competir diretamente numa categoria que começa a receber cada vez mais propostas de baixo custo, incluindo modelos como o BYD Dolphin Surf e o Leapmotor T03.
Segundo as informações avançadas pelas publicações internacionais, o preço de entrada deverá ficar abaixo dos 20 mil euros, antes de eventuais incentivos à compra.
A confirmar-se, será uma das propostas mais acessíveis da Nissan e uma peça importante na tentativa da fabricante japonesa de recuperar terreno no mercado europeu, num momento em que as marcas chinesas estão a aumentar rapidamente a oferta de elétricos de entrada.
Um Twingo transformado em Nissan
A relação entre o Wave e o Renault Twingo E-Tech será particularmente próxima.
O novo Nissan deverá utilizar a plataforma AmpR Small e partilhar com o Renault uma parte substancial da estrutura da carroçaria e dos vidros. Mesmo através da camuflagem dos protótipos é possível reconhecer as proporções do pequeno Twingo.
Mas a Nissan procurará evitar que o Wave pareça simplesmente um Renault com símbolos diferentes.
As primeiras imagens mostram uma dianteira própria, com óticas aparentemente mais quadradas, em contraste com os faróis redondos do Twingo, inspirados no modelo original de 1993.
Também a traseira deverá receber elementos específicos, incluindo um desenho diferente das óticas e possivelmente uma faixa entre ambas. A ‘L’Automobile Magazine’ admite ainda uma configuração de pintura bicolor para reforçar a diferenciação visual.
Até 263 km de autonomia
A partilha deverá continuar na mecânica.
As informações disponíveis apontam para uma bateria LFP de 27,5 kWh e um motor elétrico de 60 kW, equivalentes a 82 cv.
O ‘Electrek’ aponta para uma autonomia que poderá chegar aos 263 quilómetros em ciclo WLTP, colocando o futuro Nissan claramente no território dos automóveis pensados sobretudo para cidade e deslocações de curta e média distância.
Mais importante do que números elevados de potência ou autonomia será, neste caso, conseguir manter os custos baixos.
É precisamente a partilha de tecnologia e produção com a Renault que poderá permitir à Nissan colocar o Wave abaixo da barreira dos 20 mil euros.
Nissan repete a receita do Micra
A estratégia já está a ser aplicada num segmento superior.
O novo Nissan Micra elétrico é tecnicamente muito próximo do Renault 5 E-Tech, utilizando a mesma plataforma AmpR Small e tecnologia partilhada, embora a Nissan tenha desenvolvido uma identidade exterior própria.
Com o Wave, a operação repete-se: desta vez, o ponto de partida é o Twingo.
A plataforma deverá ainda servir de base à próxima geração do Dacia Spring, permitindo ao Grupo Renault e à Nissan distribuir os custos de desenvolvimento e produção por vários modelos.
Produção europeia começa em 2027
Tal como o Twingo, o novo Nissan deverá ser produzido na fábrica do Grupo Renault em Novo Mesto, na Eslovénia.
A chegada ao mercado está prevista para o primeiro semestre de 2027.
Se o preço abaixo dos 20 mil euros se confirmar, a Nissan terá finalmente uma proposta diretamente colocada na nova batalha dos elétricos urbanos acessíveis, onde fabricantes europeus enfrentam uma concorrência chinesa cada vez mais agressiva.
E a receita escolhida pela marca japonesa é clara: em vez de desenvolver de raiz um pequeno elétrico, aproveitar uma plataforma, tecnologia e fábrica já existentes, diferenciá-lo através do design e tentar colocar o preço suficientemente baixo para disputar clientes com BYD, Leapmotor e outras marcas que estão a alterar as regras do mercado europeu.






