O Preço Eficiente da gasolina 95 simples voltou a ultrapassar a fasquia dos dois euros por litro. Para a semana de 31 de agosto a 6 de setembro, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) fixou este referencial em 2,030 euros por litro, enquanto no gasóleo simples o valor recua para 2,078 euros por litro.
Antes de impostos, o Preço Eficiente situa-se em 1,045 euros por litro para a gasolina 95 simples e em 1,226 euros por litro para o gasóleo simples. Depois da inclusão do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), da taxa de adicionamento sobre as emissões de CO₂ e do IVA, os valores passam para 2,030 €/l e 2,078 €/l, respetivamente.
Face à semana anterior, gasolina e gasóleo seguem agora direções diferentes. O Preço Eficiente aumentou 0,4% na gasolina, enquanto diminuiu 2,2% no gasóleo.
A evolução é explicada sobretudo pelas cotações internacionais dos produtos refinados. Na última semana, a cotação internacional da gasolina 95 simples aumentou 0,6%, enquanto a do gasóleo simples caiu 4,9%.
Gasóleo continua mais caro, mas diferença encolhe
Apesar da descida mais acentuada do gasóleo, este continua a apresentar o Preço Eficiente mais elevado dos dois combustíveis.
A diferença é agora de 4,8 cêntimos por litro: 2,078 euros no gasóleo contra 2,030 euros na gasolina.
A ERSE sublinha que, para perceber a evolução dos preços pagos nos postos de abastecimento, a referência mais relevante não é diretamente a cotação internacional do barril de petróleo bruto, mas sim as cotações da gasolina e do gasóleo já refinados.
O petróleo é a matéria-prima utilizada para produzir estes combustíveis, mas a sua cotação não determina de forma direta ou imediata o preço final. No cálculo entram igualmente fatores como os fretes marítimos, os custos logísticos, a incorporação de biocombustíveis, a comercialização e os impostos.
ISP aumenta nos dois combustíveis
Também há alterações na fiscalidade esta semana. Para o período entre 31 de agosto e 6 de setembro estão em vigor as taxas unitárias do ISP definidas pela Portaria n.º 395-A/2026/1, de 28 de agosto.
A taxa é de 0,44590 euros por litro na gasolina sem chumbo e de 0,28997 euros por litro no gasóleo rodoviário.
Face à semana anterior, a revisão corresponde a um aumento de cerca de 0,24 cêntimos por litro na gasolina e de 1,00 cêntimo por litro no gasóleo, antes de IVA.
As taxas incluem a consignação de serviço rodoviário, de 0,087 €/l na gasolina e 0,111 €/l no gasóleo, e o desconto temporário e extraordinário do ISP, que passa a corresponder a 0,05162 €/l na gasolina e 0,07163 €/l no gasóleo.
Segundo a ERSE, a alteração resulta da redução do desconto extraordinário e temporário aplicado aos dois combustíveis, perante a perspetiva de descida dos preços da gasolina e do gasóleo durante esta semana.
Em comparação com as taxas estabelecidas para 1 de dezembro de 2025, o alívio fiscal corresponde agora a 5,16 cêntimos por litro na gasolina e 7,16 cêntimos por litro no gasóleo, antes de IVA.
A estas taxas acresce ainda a taxa de adicionamento sobre as emissões de CO₂, atualizada para 2026 pela Autoridade Tributária e Aduaneira, que corresponde a 0,15911 €/l na gasolina e 0,17334 €/l no gasóleo.
Preços pagos ficaram abaixo do Preço Eficiente
A ERSE compara também o seu referencial com os preços efetivamente praticados no mercado, utilizando para isso os dados mais recentes disponíveis, relativos à semana anterior.
Os Preços com Descontos publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) ficaram 3,4 cêntimos por litro abaixo do Preço Eficiente na gasolina 95 simples e 5,6 cêntimos abaixo no gasóleo simples.
Em termos percentuais, correspondem a desvios de -1,7% na gasolina e -2,6% no gasóleo.
Já nos preços de pórtico — os valores anunciados nos postos antes da aplicação de descontos — a situação foi diferente. A média ficou 0,5 cêntimos por litro acima do Preço Eficiente na gasolina e 0,4 cêntimos abaixo no gasóleo, correspondendo a diferenças de +0,3% e -0,2%, respetivamente.
A ERSE salienta que o Preço com Descontos constitui uma aproximação mais fiel ao valor médio efetivamente pago pelos consumidores, uma vez que incorpora cartões, vales e outras campanhas comerciais.
Preço Eficiente não é um preço máximo
O regulador alerta ainda para uma distinção importante: o Preço Eficiente não é um preço regulado, um preço máximo ou sequer um preço recomendado.
Trata-se de um referencial médio semanal calculado pela ERSE a partir dos principais custos associados à disponibilização dos combustíveis aos consumidores. Os operadores continuam a definir livremente os preços de venda ao público.
No cálculo entram as cotações dos combustíveis nos mercados internacionais de referência e os respetivos fretes marítimos, a logística primária, incluindo as reservas estratégicas e de segurança do Sistema Petrolífero Nacional, os custos da incorporação de biocombustíveis, a componente de retalho e os impostos.
A ERSE recorda ainda que os valores são médias nacionais e agregam realidades distintas, desde as companhias de bandeira — que tendem a apresentar preços de pórtico superiores, mas também descontos mais elevados — aos operadores low cost e hipermercados.
Assim, o valor médio nacional não corresponde necessariamente ao preço encontrado em cada posto de abastecimento nem ao montante efetivamente pago por cada automobilista.






