O dinheiro pode comprar praticamente qualquer Porsche que esteja no catálogo. O problema começa quando o Porsche que se quer simplesmente não existe.
Foi mais ou menos isso que aconteceu em casa de Mark Zuckerberg.
Priscilla Chan, mulher do fundador do Facebook e CEO da Meta, queria uma monovolume como próximo carro. Zuckerberg decidiu satisfazer o pedido, mas acrescentou uma condição bastante pouco habitual: seria um Porsche.
Havia um obstáculo evidente. A Porsche não vende monovolumes.
A solução foi pegar num dos Cayenne mais extremos e transformá-lo num carro que a própria marca alemã nunca colocou à venda.
Nasceu assim uma espécie de Porsche Cayenne Turbo GT monovolume, construído especificamente para Priscilla Chan.
De SUV de altas prestações a carro familiar com portas de correr
Para concretizar a ideia, Zuckerberg recorreu à West Coast Customs, empresa da Califórnia conhecida pelas profundas transformações que faz em automóveis.
O ponto de partida foi um Porsche Cayenne Turbo GT.
Não exatamente o candidato mais óbvio para servir de base a uma monovolume familiar: trata-se da versão mais radical do Cayenne, desenvolvida com especial atenção às prestações e ao comportamento em estrada e circuito.
Mas foi precisamente esse o carro escolhido.
A transformação obrigou a alterações profundas. A estrutura foi alongada para aumentar a distância entre eixos e criar mais espaço no habitáculo, enquanto as portas traseiras convencionais deram lugar a portas elétricas de correr — uma das características mais imediatamente associadas às monovolumes.
Visualmente, o resultado continua a ser reconhecível como um Cayenne. Basta olhar com mais atenção para perceber que as proporções já não são as de qualquer Porsche que saia de fábrica.
A ‘Car and Driver’ descreveu a criação como a primeira monovolume Porsche conhecida.
E debaixo de tudo aquilo continua a estar um Turbo GT.
Uma monovolume com ADN de 650 CV
Na configuração correspondente ao modelo dos EUA que serviu de base ao projeto, o Cayenne Turbo GT utiliza um V8 biturbo de 4,0 litros com 650 hp — aproximadamente 659 CV na unidade europeia PS — e 850 Nm de binário.
O modelo de série é capaz de acelerar dos 0 aos 96 km/h em 3,1 segundos e atingir 304 km/h, segundo os números divulgados pela Porsche para os EUA.
Naturalmente, a profunda transformação feita pela West Coast Customs significa que não é possível simplesmente assumir que a criação de Zuckerberg mantém essas prestações. A estrutura foi modificada e não foram divulgados números oficiais de aceleração, velocidade ou peso para o automóvel final.
Mas a origem permanece extraordinária: aquilo que parece uma improvável monovolume Porsche começou a vida como um dos SUV de produção mais rápidos da marca.
E Zuckerberg comprou outro Porsche para si
A história tem ainda uma segunda metade.
Enquanto Priscilla Chan ficou com o Cayenne transformado, Zuckerberg encomendou para si um Porsche 911 GT3 Touring com caixa manual.
O próprio empresário apresentou os dois automóveis como um conjunto “his and hers” — um para ele e outro para ela.
São duas interpretações quase opostas da mesma marca.
De um lado, um 911 concebido para oferecer uma experiência de condução tão pura quanto possível. Do outro, um Cayenne Turbo GT que foi esticado e ganhou portas de correr para desempenhar uma função para a qual nunca tinha sido pensado.
A Porsche já imaginou uma monovolume
Há, contudo, uma pequena ironia nesta história: a ideia de um Porsche com formato de monovolume não é inteiramente inédita.
A marca revelou em 2020 o Vision Renndienst, um estudo de design desenvolvido anos antes e inspirado nas carrinhas Volkswagen que serviram de veículos de apoio à equipa de competição da Porsche.
Era uma proposta futurista para um veículo elétrico de seis lugares, com o condutor colocado numa posição central. Nunca chegou à produção.
Por isso, quando Priscilla Chan quis efetivamente uma monovolume Porsche para utilizar no mundo real, não havia nenhuma para comprar. Zuckerberg fez aquilo que poucos clientes poderiam fazer… Mandou construir.






