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Porque se chama porta-luvas se quase ninguém lá guarda luvas? A resposta vem dos primeiros automóveis

Imagem gerada por IA
Automonitor

Documentos, óculos de sol, cabos, moedas, manuais do automóvel e uma coleção de objetos que provavelmente já nem sabemos que lá estão. Hoje cabe praticamente tudo no porta-luvas de um carro. Menos, curiosamente, aquilo que lhe deu o nome

Documentos, óculos de sol, cabos, moedas, manuais do automóvel e uma coleção de objetos que provavelmente já nem sabemos que lá estão. Hoje cabe praticamente tudo no porta-luvas de um carro. Menos, curiosamente, aquilo que lhe deu o nome.

As luvas.

A explicação obriga a recuar aos primeiros anos da indústria automóvel, quando conduzir era uma experiência bastante diferente daquela que conhecemos atualmente.

Segundo o ‘El Economista’, os primeiros automóveis tinham carroçarias abertas e praticamente não protegiam os ocupantes do frio, da chuva ou do vento. E esse era apenas o começo das dificuldades.

Quando conduzir de luvas era quase uma necessidade

Os volantes podiam ser feitos de madeira ou metal, tinham aros finos e eram muito menos agradáveis de utilizar do que os atuais.

Também não existia direção assistida como hoje a conhecemos. Virar o volante de alguns automóveis exigia força e uma boa aderência das mãos, enquanto as caixas de velocidades eram muito mais difíceis de operar.

As luvas ajudavam, assim, em várias frentes: protegiam as mãos do frio, melhoravam a aderência e tornavam mais confortável o contacto com os comandos do automóvel.

Não eram apenas um acessório de moda. Durante os primeiros tempos do automóvel, podiam ser uma peça importante do equipamento de um condutor.

E havia um problema muito simples: onde guardá-las quando não estavam a ser utilizadas?

Foi assim que nasceu o porta-luvas

Os automóveis começaram a receber pequenos espaços destinados precisamente a guardar as luvas dos condutores.

O conceito evoluiu até ao compartimento integrado no tablier que conhecemos atualmente, normalmente colocado diante do passageiro.

As luvas foram desaparecendo da condução quotidiana, mas o nome do compartimento ficou.

E é por isso que, mais de um século depois, continuamos a chamar porta-luvas a um espaço onde quase ninguém guarda um par de luvas.

Os carros modernos tornaram as luvas desnecessárias

A evolução do automóvel acabou por eliminar praticamente todas as razões que justificavam a sua utilização diária.

Os volantes tornaram-se mais grossos e ergonómicos, passaram a utilizar materiais mais confortáveis e a direção assistida reduziu drasticamente o esforço necessário para manobrar.

Hoje existem até volantes aquecidos e sistemas de assistência capazes de intervir diretamente na direção.

As luvas de condução sobreviveram sobretudo em dois mundos.

No automobilismo continuam a ser equipamento indispensável, enquanto entre proprietários de automóveis clássicos ganharam uma dimensão nostálgica e estética. Algumas marcas de moda continuam, aliás, a produzir modelos inspirados nas luvas utilizadas pelos automobilistas das décadas de 1940, 1950 e 1960.

Nos automóveis modernos, porém, resta sobretudo uma memória dessa época.

Está mesmo à frente do passageiro e provavelmente contém documentos, cabos e objetos esquecidos há meses.

Chama-se porta-luvas.

Só já quase não tem luvas.