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Enche o depósito todas as semanas? Fizemos as contas ao que o gasóleo já lhe tirou da carteira em 2026

Automonitor

Um ou dois cêntimos. Depois mais alguns. Uma subida numa segunda-feira, outra algumas semanas depois. Pelo meio, algumas descidas…

Um ou dois cêntimos. Depois mais alguns. Uma subida numa segunda-feira, outra algumas semanas depois. Pelo meio, algumas descidas.

Vistos isoladamente, os movimentos do preço do gasóleo podem parecer pequenos.

Mas experimente somá-los durante nove meses.

A ‘Automonitor’ fez as contas à evolução semanal do preço do gasóleo simples desde o início de 2026 e chegou a um número bastante mais difícil de ignorar: um condutor que abastecesse 60 litros todas as semanas teria gasto mais de 700 euros adicionais do que gastaria se o preço do gasóleo tivesse permanecido no nível registado no início do ano.

Mais precisamente: 714,3 euros.

Comecemos pelo princípio: 1,534 euros

Na semana de 5 de janeiro, o gasóleo simples estava nos 1,534 euros por litro.

Encher um depósito de 60 litros custava, portanto, 92,04 euros.

Depois começaram as subidas.

O preço passou para 1,556 euros em 19 de janeiro e 1,600 euros em 23 de fevereiro, antes de disparar durante março: 1,817 euros em 9 de março, 1,915 euros uma semana depois e 2,046 euros em 23 de março.

Em 6 de abril chegou aos 2,131 euros por litro, o valor mais elevado registado até agora na série de 2026 analisada pela ‘Automonitor’.

Seguiu-se algum alívio. Em junho, o gasóleo chegou a recuar para 1,767 euros.

Mas voltou a subir.

Em 7 de setembro estava nos 2,104 euros por litro.

Ou seja, mais 57 cêntimos por litro do que em 5 de janeiro — um aumento de cerca de 37%.

Enche o depósito todas as semanas? Fizemos as contas ao que o gasóleo já lhe tirou da carteira em 2026

Um depósito passou de 92 para 126 euros

É aqui que os cêntimos começam a transformar-se em dinheiro.

A 5 de janeiro, colocar 60 litros custava 92,04 euros.

Ao preço de 7 de setembro, os mesmos 60 litros custavam 126,24 euros.

São mais 34,20 euros numa única passagem pela bomba.

Mas comparar apenas o primeiro e o último preço ainda não conta toda a história.

Para perceber quanto as sucessivas alterações do preço representaram ao longo destes meses, é preciso fazer as contas semana a semana.

E foi isso que fizemos.

E se abastecer todas as semanas?

A ‘Automonitor’ pegou nos preços de cada uma das 36 semanas entre 5 de janeiro e 7 de setembro e fez uma simulação simples.

Imagine um condutor que abastece exatamente 60 litros de gasóleo todas as semanas.

Se o preço tivesse permanecido durante todo esse período nos 1,534 euros por litro registados em 5 de janeiro, os 36 abastecimentos — 2.160 litros no total — teriam custado 3.313,44 euros.

Só que o preço não ficou parado.

Aplicando a cada um dos 36 abastecimentos o preço médio correspondente a essa semana, o mesmo condutor teria desembolsado 4.027,74 euros.

A diferença é de:

714,30 euros.

Importa explicar exatamente o que significa este número.

Não quer dizer que todos os automobilistas portugueses tenham “perdido” 714,3 euros em 2026. Cada condutor percorre distâncias diferentes, tem consumos diferentes e abastece quantidades diferentes.

Os 714,3 euros representam a diferença entre dois cenários: aquilo que um automobilista teria efetivamente pago abastecendo 60 litros em cada uma das 36 semanas analisadas e aquilo que teria pago pelos mesmos 2.160 litros se o gasóleo tivesse permanecido sempre nos 1,534 euros por litro de 5 de janeiro.

É uma comparação. Mas é uma comparação que permite perceber quanto pesa na carteira uma diferença de preço que, vista apenas em cêntimos por litro, pode parecer muito menor.

E se colocar apenas 30 ou 40 litros?

Mesmo reduzindo o tamanho do abastecimento, a conta continua a ser significativa.

Quem colocasse 30 litros todas as semanas teria acumulado uma diferença de 357,15 euros face ao preço de referência de janeiro.

Com 40 litros semanais, seriam 476,20 euros.

Com 50 litros, 595,25 euros.

E com os 60 litros utilizados no nosso exemplo, chegamos aos 714,30 euros.

Naturalmente, abastecer 60 litros todas as semanas representa um perfil de utilização intensiva — cerca de 2.160 litros consumidos ao longo das 36 semanas.

Mas é precisamente por isso que olhar para diferentes quantidades permite adaptar a conta ao perfil de cada automobilista.

Enche o depósito todas as semanas? Fizemos as contas ao que o gasóleo já lhe tirou da carteira em 2026

O gasóleo subiu em praticamente duas de cada três semanas

Os números ajudam também a perceber como chegámos até aqui.

Nas 35 variações semanais registadas entre 5 de janeiro e 7 de setembro, o gasóleo subiu em 23 e desceu em apenas 12.

Não houve qualquer semana sem alteração.

Ou seja, o preço aumentou em cerca de 66% das semanas em que houve uma variação.

E existiram períodos particularmente difíceis para os automobilistas.

Entre 16 de fevereiro e 6 de abril, o gasóleo acumulou sete subidas semanais consecutivas.

Mais tarde, entre 29 de junho e 3 de agosto, registou outra sequência de cinco aumentos consecutivos.

A trajetória não foi sempre ascendente. Houve descidas importantes pelo meio e o preço chegou a recuar significativamente depois do máximo de abril.

Mas cada nova escalada voltou a acrescentar euros à conta acumulada.

E para a semana? O gasóleo ainda não dá descanso

E a história não deverá terminar aqui.

As primeiras previsões para a semana de 14 a 20 de setembro apontam para uma nova alteração dos preços dos combustíveis, embora sem a dimensão de alguns dos movimentos registados nos últimos meses.

A estimativa disponível esta sexta-feira aponta para uma subida de cerca de 4 cêntimos por litro no gasóleo.

A gasolina deverá seguir no sentido contrário, com uma descida estimada em cerca de 6 cêntimos por litro.

Os valores são ainda indicativos e o preço efetivamente cobrado ao consumidor pode variar consoante a evolução das cotações internacionais, eventuais alterações fiscais e a política comercial de cada posto de abastecimento.

Ainda assim, se a subida de 4 cêntimos no gasóleo se confirmar, representa mais 2,40 euros num abastecimento de 60 litros.

Pode parecer pouco quando comparado com as oscilações mais violentas registadas este ano.

Mas é precisamente a soma dessas pequenas diferenças que está no centro destas contas.

A conta ainda não fechou

E há uma última razão para os 714,30 euros não serem o ponto final desta história.

Os cálculos da ‘Automonitor’ terminam em 7 de setembro para manter uma série semanal comparável. Mas o calendário continuou a andar — e o preço também.

Os dados diários mais recentes da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) colocavam já o gasóleo simples nos 2,112 euros por litro em 9 de setembro. São 126,72 euros para colocar 60 litros.

E, se a nova subida prevista para a próxima semana se confirmar, serão mais alguns euros a juntar a uma conta que ainda tem quase quatro meses pela frente.

Janeiro parece agora bastante longe.

Na primeira semana do ano, os mesmos 60 litros custavam 92,04 euros. Hoje, a diferença entre esses dois abastecimentos já ultrapassa os 34 euros.

Talvez seja essa a imagem que melhor resume 2026.

O carro é o mesmo. O depósito leva os mesmos 60 litros. A distância que o condutor consegue percorrer não aumentou por causa disso.

Só a conta mudou.

E ainda nem chegámos ao fim do ano.