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Ensaio Alfa Romeo Giulia Veloce Q4: diversão vezes quatro

O Giulia é uma berlina desportiva e com tração integral e motor turbodiesel ganha na diversão que oferece, particularmente no molhado.

[quote align=”right” color=”#999999″]O Alfa Romeo Giulia é uma berlina desportiva competente, com excelentes qualidades dinâmicas, direção precisa e motor generoso e que apesar de ser a gasóleo tem alma de desportivo.[/quote]
Já ensaiei o Giulia nas várias vertentes disponíveis, mas a Alfa Romeo decidiu alargar as virtudes do modelo à tração integral Q4, juntando-lhe dois ingredientes interessantes: o motor turbodiesel e o acabamento Veloce, um nome com história dentro da casa do Biscione. Tal como Giulia…

Primeira coisa: a tração integral do Giulia é a mesma do Stelvio e por isso é, na essência, um sistema que privilegia as rodas traseiras para mover o carro, esticando o binário para as rodas da frente quando há necessidade. Ora, isso é muito interessante pois em piso seco o Giulia Q4 é igualzinho ao Giulia “normal”, mas quando o piso está escorregadio seja pela chuva seja por outra coisa qualquer, passamos a contar com a ajuda do binário nas quatro rodas.

Num dia seco de verão, a tração integral hiberna. Porém, tive a “sorte” de ter comigo este Giulia Veloce Q4 durante um par de dias sempre há chuva! Sempre! Portanto, deu para perceber as diferenças. Sendo certo, também, que a Alfa Romeo oferece esta opção porque, vá lá saber-se porque, todas as marcas do segmento oferecem tração integral como opção. Existe uma fatura a pagar, sejam pelos 60 quilogramas a mais no peso total do carro seja o ligeiro aumento das emissões de CO2 e do consumo médio. Os puristas que gostam da Alfa Romeo vão, certamente, escolher a versão de tração traseira, os menos preocupados com isso podem escolher a versão Q4. Até porque o Veloce custa mais 7.650 euros que o Giulia “normal”, mas oferece mais 30 CV no motor turbodiesel, incrementando o prazer de condução que a plataforma Giorgio oferece.

E que tal é o motor 2.2 litros com 210 CV?

Como diria o meu saudoso pai – um feroz adepto da Alfa Romeo – é uma “bisnaga”! com um turbo de geometria variável, totalmente feito em alumínio, o bloco do Giulia é um bocadinho barulhento a frio, mas comporta-se melhor quando aquece ou quando circulamos. Sobe de rotação com pressa, mas a caixa de 8 velocidades automática depressa lhe corta o ensejo desmultiplicando até à relação mais alta para evitar esforços espúrios. Claro está que podemos mexer no comando DNA e colocar no modo mais desportivo e a caixa deixa o bloco subir mais um pouco de rotação.

Seja como for, com 470 Nm de binário logo nas 1750 rpm e os 210 CV que debita, o motor do Giulia permite que chegue dos 0-100 km/h em 6,8 segundos e abata o quilómetro de arranque em 28 segundos. Cifras que são ao nível de modelos desportivos e dos bons.

E como se comporta o Giulia Q4?

Primeiro, o carro mantém a excelente direção, direta e com peso e sensibilidade suficientes. Depois, o chassis continua a ser rígido e as suspensões também durinhas. Finalmente, o Giulia manteve a facilidade de conduzir e a facilidade de o levar aos limites e, volto a afirmar, o Giulia tem melhor comportamento e oferece maior prazer de conduzir que o BMW Série 3, Mercedes Classe C e Audi A4. O Giulia curva de forma admirável mas com uma facilidade que faz qualquer condutor menos hábil sobressair facilmente.

E então, a tração integral faz a diferença?

Faz, mas o Giulia continua a ter temperamento de tração traseira, até por aquilo que refiro no início. Infelizmente, os homens da Alfa Romeo entendem que o Giulia Quadrifoglio com 510 CV é que merece ter a possibilidade de desligar o ESP e o controlo de tração. Assim sendo, podemos apenas recorrer ao programa DNA e ao modo mais desportivo. É isso mau?

Não! A eficácia do chassis é tão grande que é preciso ser um enorme aselha para que o ESP e o controlo de tração entrem em ação. E quando o fazem, são tão suaves que não se sente em demasia a sua ação. Podemos andar em pisos escorregadios sem problema, sentindo-se menos á vontade nos pisos mais degradados devido á afinação mais dura dos amortecedores. No piso molhado, a velocidade em curva é elevada e impressiona, mesmo.

E o resto do carro? É igual?

Sim, até porque ainda não chegou a hora da Alfa Romeo lançar uma renovação. E quando a fizer, intervirá, certamente, onde o carro é mais criticado: o sistema de info entretenimento está ultrapassado, o ecrã é realmente pequeno e há materiais que necessitam de revisão um pouco por todo o habitáculo. Tudo o resto, está bem como está, da posição de condução á ergonomia, passando pelos bancos e pelo estilo.

Veredicto

Pena que os últimos anos tenham sido madrastos para uma marca tão emblemática como a Alfa Romeo. Dizia alguém que não se é um verdadeiro apaixonado por carros se nunca tiver um Alfa Romeo e posso dize-lo que é verdade, até porque já tive vários Alfa Romeo e hoje choro por não ter nenhum. A nova vida da casa do Biscione é feita com dois excelentes produtos que continuam a conhecer alguma indiferença provocada pela desconfiança de anos de mau trato. Não tem razão de ser pois o Giulia é uma berlina desportiva competente, com excelentes qualidades dinâmicas, direção precisa e motor generoso e que apesar de ser a gasóleo tem alma de desportivo. Os pormenores contrários não apagam a excelência dos pontos positivos. E, contas feitas, o Giulia Veloce Q4 2.2 JTD custa 55.450 euros, com um bom nível de equipamento.

FICHA TÉCNICA

Alfa Romeo Giulia Veloce 2.2 Diesel AT8 Q4

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 2143; Diâmetro x curso (mm) 83,0 x 99,0; Taxa compressão 15,5; Potência máxima (cv/rpm) 210/3750; Binário máximo (Nm/rpm) 470/1750; Transmissão e direcção Tração integral, caixa automática de 8 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente duplo triângulo sobreposto; independente, eixo multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4643/1860/1436; distância entre eixos 2820; largura de vias (fr/tr) 1557/1625; travões fr/tr. Discos vent.; Peso (kg) 1535; Capacidade da bagageira (l) 480; Depósito de combustível (l) 52; Pneus (fr/tr) 255/50 R19; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 6,8; velocidade máxima (km/h) 235; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,0/5,8/4,7 (consumo real medido 6,1 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 122; Preço da versão ensaiada (Euros) 55.450

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